
Quando encaramos a vida como homossexuais, assumimos também muita responsabilidade. Sabemos que temos ainda que ter mais paciência que os heteros para conseguir fazer nossas vidas. A princípio não podemos contar com ninguém, pelo menos conosco foi assim, depois sentimos um "we are family" com nossos amigos gays e hetero, pois temos muitos.
Aos poucos fazemos perguntas a eles... e tanto seu carinho por nós quanto o que pensam fazem com que vejamos mais ou menos se a aceitação é possível. Da primeira vez que contamos, não tínhamos ninguém do nosso lado. Hoje em dia temos não só amigos homo e hetero do nosso lado... mas também a FAMÍLIA DO PAI DE "C" !!!
Quando "C" saiu de casa, o pai dela foi na casa dos tios dizendo que ela saiu de casa, contou o que houve, e disse que estava muito magoado com a atitude dela, com a forma que ela saiu de casa.
Quando foi o aniversário dela, as tias do lado do pai dela começaram a ligar para ela, dizer que ela seja feliz, que ela poderia ir na casa delas, deram apôio. Os primos de "C" também semostraramdo lado dela.
Aos poucos eles marcavam de se encontrar, a tia a chamava para almoçar na casa dela, dormir na casa dela (vale repetir que esses tios são da família do pai de "C", a família que participou de todo terror com a gente foi a família da mãe de "C"), a família do pai de "C" atém então nem sabia da homossexualidade de "C". Alguém contou, e se espalhou para eles dessa vez, mesmo assim, eles são do ponto de vista que amor de pai para filho deve ser incondicional e acolhem "C" com muito carinho. Apesar de ninguém ainda ter coragem de ir no pai dela dizer que ele está errado.
No Natal, "C" recebeu muitos presentes deles. Os tios que "C" dorme as vezes na casa deles adoram "C" e já a chamam de filha. Sabem da condição de "C" e apóiam. A tia já chegou a perguntar se ela tinha alguém, ela disse que sim. A tia fez psicologia, então fica mais fácil de entender o que se passa e se passou com "C", já que com esse contato, ela pôde dizer tudo que aconteceu com ela: Que apanhava sempre, quem cortou seu cabelo, da última surra que durou 6 horas, de como foi da primeira vez que ela contou, enfim, pôde contar tudo que aconteceu. A tia chegou a dizer que ela pode levar quem ela quiser para a casa dela, até "T".
Como o mundo dá voltas. "T" sendo bem vinda na casa de uma das tias de "C" da família do pai.
"T" já chegou a falar com uma prima de "C" pelo telefone e com um primo pela internet. Eles sabem que elas viajam para se ver, já estão se acostumando com a idéia. Apesar de um primo ainda rir delas, mas não leva nada para uma maldade, só precisa de mais tempo para se acostumar.
"C" não quer morar de vez na casa da tia porque quer seu lugar, não quer mais morar com família, mesmo que eles estejam sendo muito bons com ela. Não só os tios como primos e namoradas dos primos.
Agora alémde estudar e trabalhar elas estão malhando, agora que a pressão passou elas conseguem estudar mais, cuidar delas, relaxar.
O pai de "C" diz aos seus irmãos em festas de família que sente muita saudade de "C", mas porque ele não faz nada? Sempre trata "C" friamente quando tem que resolver alguma coisa com ela tipo, matrícula de faculdade, mas hoje, ele foi diferente, a tratou bem, ela que não quis muito papo. Achamos que ele sabe que ela tem os irmão dele e irmãs do lado dela.
Estamos nessa, nos vendo sempre, arejando mais a cabeça e esperando mais e mais dias melhores.. esperanças sempre, e quando há amor, a esperança traz uma fé inexplicável que faz tudo que queremos, acontecer.
Obrigada a todos da comunidade do ORKUT: Homofobia - já era.
Precisamos de muita força e queremos compartilhar nossa história para outras pessoas não passarem por isso. Não queremos que nossa história se repita, mas que sirva de aprendizado, que sirva para qualquer coisa, que mude qualquer coisa positivamente....
... Dias melhores para todos nós.

