segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

7 meses depois...


A vida está muito melhor que sempre estevepara "T" e "C". A cada dia que passa, mais conquistas, mais força. Ainda acontecem imprevistos como o dia em que a avó de "C" foi na universidade que ela estuda, a chamou na sala de aula, ameaçou "C" mais uma vez, disse que furaria seus olhos para ela não olhar para mulher nenhuma, que se ela estivesse com "T", ela acabaria com a carreira de "T", que já sabe tudo dela, disse que mandou fazer uns "santinhos" com a foto de "C" onde estava escrito que ela é lésbica e ia distribuir para todos, disse que ela estava gorda e feia.


Perguntou se ela era sapatão, disse que xuxa estava com Marlene só para crescer na profissão, mas hoje tem marido e filha, então era lésbica, e ela não, ela é sapatão.


Disse também que se ela tivesse vergonha na cara não aceitaria o pai pagar a faculdade dela. Perguntou porque ele estava pagando. Ela disse para ela perguntar a ele, já que quem paga é ele. "C" não mostrou medo a ela, mostrou força e mostrou que está protegida, pois a avó perguntou se ela iria denunciá-la. Disse que se ela a denunciasse, não ia dar em nada porque ela tem um laudo de tudo que aconteceu quando a polícia foi na casa dela com assinatura de "C" dizendo que saiu por livre e espontânea vontade de casa. Isso aconteceu quando a mãe foi pega em flagrante pelo policial e "C" não deixou ela ser presa, mas testemunhas temos muitas para provar isso.

"C" foi em uma ONG contar o que aconteceu, dessa vez sabemos que não dá mais para ter lugar para piedade, mesmo com uma senhora, pois essa mesma senhora só tem a intenção de prejudicar, machucar, por vingança, e por achar que manda no mundo por causa do dinheiro.

Não temos só o lado ruim na história. A avó de "C" pelo menos por enquanto está quieta, "C" continua morando na república mas passa maior parte do tempo na casa de uma tia SANTA nessa família, irmã do pai dela.


Ela lá recebe apôio dela e de seus primos, é respeitada e tratada com muito amor e carinho, o que ela não mais tinha em casa. Pelo visto quase toda família do pai de "C" apoia sua decisão, a família da mãe é que não concorda de jeito nenhum e ainda atrapalha a aceitação do pai de "C", que deve viver entre a cruz e a espada. Ele ajuda "C" mas é muito grosso com ela, a trata como uma obrigação, um negócio. Só informa o que foi resolvido, se já depositou ou não dinheiro, é bem frio. Já chegou a perguntar a um primo de "C" até que idade um pai tem que sustentar um filho que saiu de casa. Não sabemos se é jogo dele.


Apesar disso tudo, das festinhas e viagens dos pais de "C" como se fosse em comemoração que ela saiu de casa, ainda compram carro novo, está uma festa para quem olha de fora aquela casa, para eles faz efeito, mas para quem sabe, e olha de fora (muitas pessoas que eles nem sonham sabe de tudo que aconteceu), sabe que ali mora a tristeza causada por orgulho, preconceito.


Será que vale a pena fazer tudo isso por sentimentos tão pequenos coma própria filha?


Como eles ainda se acham totalmente certos e com razão?


Burrice? Ignorância? Falta alguém chegar para eles e dize-los que estão errados? Eles se aceitam errado?


"T" e "C" agora podem se comunicar pela internet, utilizar de recursos como webcam (as vezes fica uma olhando para a outra, os olhos brilhando, sem acreditarem que agora podem se ver todos os dias ao vivo, mesmo que seja por uma tela de computador, ficam maravilhadas e até choram de felicidade, não precisam dizer nada muitas vezes, é só se olharem...) , MSN, nem isso elas tinham antes, se vêem com freqüência, quando viajam com seus amigos. A vida está muito feliz.


"T" trabalhando e conquistando seu espaço no mercado de trabalho cada vez mais e "C" com seus estudos batalhando por um estágio ou passar em um concurso.


Muita luta pela frente, as duas se amando cada vez mais.


"Now you and I we've seen our share of ups and downs

Somewhere we just lost hope

I can't change the past but who cares

Your love is all I've ever known.............."

domingo, 14 de setembro de 2008

Tudo pode mudar...


Hoje em dia olhar para a vida de "T" e "C" e olhar para as outras páginas desse blog, o que elas passaram, pareceria impossível há um tempo atrás. Mas tudo foi feito com muita cautela, paciência, amor pelos pais e muitas vezes também medo deles, receio de machucar quem ainda não sabia da sexualidade de "T" e "C" na família, enfim, só o tempo e Deus pôde ajudar as duas.


Elas moram ainda em suas cidades, mas se sentem livres para ver uma a outra a qualquer momento. "C" continua estudando muito, seus amigos a ajudando a resolver as coisas do dia-a-dia. Mora numa casa de estudantes que a dona a faz passar por algumas coisas que daria um capítulo a parte, mas resumindo, desde que ela chegou lá, ela não tem a chave do quarto, a grade da porta está quebrada e não era consertada, o chuveiro quebrado, quando ele funcionava, faltava água, entre outros problemas.


O pai de "C" continua pagando sua faculdade, sua moradia e dá um mesada para "C". Não dá para entendê-lo muito pois ele diz que só faz mesmo a obrigação de pai dele. Mas não ligou no aniversário dela, fala friamente, isso machuca "C" mas ela procura não olhar para isso e seguir em frente pelo seu amor por "T". O que dá mais saudades nela é sua irmãzinha.


A mãe de "C" aproveita agora a vida sem "C" em viagens com o pai dela, com a irmã, a mãe, coisa que antes era "C" que fazia. Talvez esse fosse o motivo de a mãe de "C" querer tanto ela fora de casa e ter causado tanta coisa para que isso acontecesse. Ela não dá notícias, não se preocupa nem um pouco com a filha, deve estar se sentindo muito bem por ter só dois filhos pequenos agora, já que "C" era bem mais velha por ela ter engravidado cedo, antes de casar.


Nós procuramos muito o motivo da mãe dela ser desse jeito mas não sabemos ao certo o porque de tanta rivalidade, pois isso vem antes dela saber da homossexualidade de "C".


"C" está feliz com "T", com os amigos dela que são sua família, estudando muito para conseguir um dia um estágio, emprego, passar em concurso. "C" tem aprendido muitas coisas da vida.


"T" está trabalhando, o diálogo com sua mãe vai melhorando, apesar dela não querer se envolver muito por causa do pai de "T" que de nada sabe. Fica fácil para "T" viajar ou ver "C" já que a mesma está livre para viajar, ou encontrar com ela quando ela for para sua cidade, como no aniversário de "C", "T" foi para lá de surpresa, ficaram num hotel maravilhoso, se organizou com os amigos para organizarem uma festa surpresa para "C", que deu tudo certo.


Elas hoje fazem coisas que antes elas não podiam, ou nunca pensariam em fazer como passear pela cidade sentindo a liberdade de viver, ir num restaurante com os amigos, cinema, tudo está muito feliz na vida das duas, e a tendência, sempre seguindo na persistência e esforço das duas movidas pelo amor totalmente recíproco, é partilharem um raro e verdadeiro amor eterno morando juntas, se vendo todos os dias, viajando pelo mundo, partilhando tudo juntas, sempre unidas.


"T" e "C" para sempre.

* ETAMQOEMQA *

terça-feira, 29 de julho de 2008

Reencontro de "C" com o pai...



Os dias de "T" e "C" continuavam felizes apesar de difíceis, pois "T" não sabia como ajudar "C" se nem uma conta no banco ela possuía por não ter endereço fixo, por estar na casa de amigos. Até que um dia ela conseguiu lugar numa "Casa de estudantes" e "T" mandava ajuda para ela através de amigos. "T" trabalhava agora o dobro.

O pai de "C" pagava a faculdade dela, e chegou o dia dele encontrar com ela para pegar a matrícula com ela. Eles combinaram de se ver, se encontraram, deram dois beijinhos. "C" não tinha medo, manteve a firmeza e coragem que ela aprendeu a ter. Seu pai levou alguns pertences dela, o que já ajudava e muito, como documentos, certificados de cursos, recibos de plano de saúde, até iPod e chocolates que estavam no guarda roupa de "C" ele levou. Disse que ela teria tudo dela de volta, que tinham duas malas com roupas para ele entregá-la mas não ia levar para a faculdade, que era onde eles se encontraram. Ele disse também para ela ver um lugar para ela ficar que ele pagaria para ela, disse que ela visse quanto gastava por mês que ele também iria mandar uma mesada. Ele ainda não sabia que "T" já havia pago a mensalidade da "casa de estudante" para "C", elas ainda acham melhor preservá-las, depois de tudo, fica difícil confiar nas atitudes deles.

Deu conselhos para ela estudar muito, para terminar a faculdade, porque só assim ela pode ser respeitada no futuro, mas afirmou que esse caminho que ela seguiu, ele não concorda com ele, mas que vai fazer suas obrigações de pai.

Os caminhos estão se abrindo cada vez mais para "T" e "C"... continuem rezando... isso soh mostra que a fé remove montanhas.... rezem também pelo pai de "C", deve ser difícil ele estar entre esposa/sogra e "C" do outro lado.

sábado, 12 de julho de 2008

Novo mundo...


Acho que o começo da batalha foi vencida, é difícil dizer isso pela imprevisibilidade das ações da família de "C". Por enquanto eles estão quietos, ela não tem mais contato com eles, apenas ligou no aniversário da avó dela, mas a mesma continuava com os mesmos pensamentos.

Enquanto isso, "T" vive em Natal, "C" em Recife, o pai de "C" paga sua faculdade, "T" vai ajudando "C" como pode, os amigos de "C" dão muito suporte para ela e elas procuram se ver uma vez por mês quando "C" vai para Natal.

Da última vez que se viram, "C" teve a oportunidade de conhecer os amigos de "T". Elas passearam, se sentiram muito felizes convivendo uma com a outra podendo sair pelo mundo.

"T" está trabalhando muito para segurar as pontas de sua vida que ainda está em construção e as de "C", que por enquanto procura estágio, e estuda para concurso.

A vida não está nada fácil para elas, mas a superação sempre foi marca que acompanha o amor das duas, e elas conseguirão passar por essas atribulações juntas.

É muito bom poder fazer coisas simples que todos fazem como ir para festa na casa de amigos, cinema, shopping, almoçar com amigos fora, sair, ir à praia e depois ver as fotos, sentir que tudo aquilo foi real, que agora elas podem respirar, e que tudo caminha para que elas fiquem juntas todos os dias, de vez. Tudo é muito novo, simples, e importante na vida das duas, de uma forma ou de outra, elas agora podem curtir a fase de namoro delas.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

S O U A F A V O R da Lei PLC 122 que criminaliza a homofobia - 0800 - 612211


Sobre a votação da lei (PLC 122) Número do senado:
Vote a favor da Lei PLC 122 que criminaliza a homofobia -
0800 - 612211
Algumas pessoas já ligaram para o Senado. Não dói, não custa nada, e é rápido! É só digitar o número citado acima, mas esteja com o nº do seu CEP a mão. Não é CPF, é o CEP de onde você mora.
Você vai dar seu nome, sua idade, endereço, o cep de onde você mora, e seu grau de escolaridade.
E diga COM TODAS AS LETRAS:
S O U A F A V O R da Lei PLC 122 que criminaliza a homofobia.
"CUIDADO, amigos! pra não serem enrolados pela atendente e dizer que é contra a lei.
Digo isso pq quando liguei, a atendente foi logo antecipando minhas palavras e dizendo:
" a srª então é contra a Lei, não é? Eu disse imediatamente: n a o EU SOU A FAVOR DESSA LEI. Pois ela penaliza a discriminação dirigida a um grupo social que não escolheu ser diferente...eu luto por uma sociedade justa e humana, portanto eu só posso ser A FAVOR DESSA LEI...e ainda disse " eu sou contra é ao movimento homofóbico que o pastor silas malafaia está fazendo...e mandei ver, pessoal..rs..
NÃO DEIXE DE VOTAR A FAVOR DA LEI QUE CRIMINALIZA A HOMOFOBIA!
Conto com todos vcs nessa luta!Que Deus esteja a frente de nós.
Você não precisa ser homossexual pra votar, basta ter uma visão crítica da sociedade de hoje e ver que não dá mais pra aceitar que sejamos marginalizados pela nossa simples opção sexual. Ligue e propague... os pastores estão fazendo o mesmo ao contrário."
Nós sabemos o que passamos na pele no dia-a-dia, por amor, diferente da maioria, mas amor.
Esse blog que fale sobre um pouco dele.
Ajudem essa causa.
Adaptei o texto do comentário que recebi no post anterior.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Se defender....


A fase está bem delicada. "T" e "C" não sabem se devem ou não confiar na família de "C" mas elas estão juntas para tudo. Sempre com a ajuda de seus amigos, compreensão de todos que as cercam e sabem sua história. Infelizmente os vilões da história estão sendo a família de "C". Por quê há tanto carinho por parte de "estranhos" e na família não há acolhimento? Só há preconceito, orgulho. Ontem "C" escutou palavras frias de seu pai quando ela ligou dizendo que se preocupava com ele, que queria saber como ele estava. O tio de "C" parece ser o único que se interessa por alguma diplomacia. Mesmo assim é difícil confiar em um homem que foi capaz de tantas coisas nesses 2 anos que se passaram. A ameaça à integridade física de "T", na surra que "C" levou da avó, mãe e tia, ele instigou-as, etc. Não se sabe onde essa história vai parar, mas a ajuda de centros de referência, amigos, professores de "C" está sendo crucial para a defesa e sobrevivência das duas. "C" luta por seus sonhos, estudos, lugar para viver, "T" a ajuda mesmo ainda fazendo sua vida profissional, elas duas caminham sempre juntas e tudo pode ser obstáculos, mas elas sabem que sempre têm uma a outra e seus amigos para apoiá-las.
"C" já consegue ir para faculdade, seu esforço para superar tudo o mais rápido possível para não perder suas matérias, como aconteceu há 2 anos atrás, onde tudo aconteceu nas últimas provas do semestre e ela reprovou em duas matérias por causa da mãe. Da outra vez ela tinha medo de falar de sua vida pessoal porque eles os ameaçavam muito e faziam do fato de ser homossexual, uma verminose da sargeta do mundo.
Esses 2 anos que "C" escutava diariamente de sua família tortura psicológica, que "T" vivia em angústia por tudo que acontecia com "C", tudo isso faz as duas pensarem que eles deviam pagar por tudo. Ao mesmo tempo, família é família, por mais que eles façam, elas vão tentar a diplomacia, mesmo que o tempo e elas mesmas se prejudiquem muito ainda. Elas estão observando os passos deles, se os danos forem muito fortes, aí não há outra saída, "C" irá colocar adiante, na justiça, tudo que eles fizeram e persistem em fazer. "C" só não continua apanhando e sendo humilhada porque conseguiu sair de casa.
Quem esteve presente nos últimos dias de "C" naquela casa sabe o que ela passou. Sua mãe prometia quebrar seus dentes, deixá-la aleijada, levá-la para um lugar que ela não sabia onde seria. "T" não acreditou quando reencontrou "C" quando ela saiu de casa, seu corpo cheio de hematomas, marcas de unhas feridas pela mãe em seus braços, o cabelo cortado pela avó, as roupas que a mãe deixou com ela, eram as que ficavam guardadas para dar a aguém da rua. Foi muita humilhação, e agora eles espalham para o resto da família que "C" saiu de casa porque se "engraçou com um rapaz que não é do nível deles". É muito triste o que se passa na cabeça daquela família. Pessoas de engenho, com a mente na idade média, idade "das trevas", que se dizem pessoas de Deus, mas não passam de hipócritas.
Como eles se dizem de Deus se espancam a própria filha e para não ouvir seus gritos, fecham todas as portas, são cruéis, e deposi de tudo isso, ainda prometem infernizar sua vida? Se ao menos a deixassem em paz....
Há 2 anos atrás elas estavam sós, eles pisaram nelas como puderam, elas não tinham ninguém. Hoje elas podem diminuir a marcha deles. O pai de "C" se mostrou surpreso dela conseguir se virar sem ele. Ele foi bom ao pagar a mensalidade da faculdade de "C", se mostrou preocupado com os estudos dela ou quer que ela vá para a faculdade para eles pegarem ela? Para segui-la quando terminar a aula? Até agora ameaças não existiram mais, só distância.
Alguma delas, mãe, tia, avó, não se sabe, alguma das mulheres da família de "C" ligou para Maria, amiga de "C", para sua casa, e quem atendeu foi sua mãe. Essa mulher dizia que "C" era lésbica e que a filha dela também era, por andar com "C" e sua turminha na Universidade. A mãe de Maria disse que se ela for, ela diz a ela numa boa. Depois disso, essa mulher ainda achou pouco, e ligou para Maria no outro dia, disse que sabia que "C" e suas amigas eram prostitutas e seu amigo era o cafetão delas. Maria começou a rir muito dessa história sem nexo, então ela disse para ela não rir não porque o nome dela poderia ser pichado no muro de sua universidade e de todas.
A mãe de "C" havia prometido "infernizar", viver para isso, juntar todas as forças para acabar com a vida de "C" e de quem estiver com ela para o resto da vida. Afirmou que não adiantaria ela ir para onde fosse, que ela iria fazer isso custasse o que custasse. Parece que ela já começou.
Se algo mais acontecer, espero que os amigos de "T" e "C" levem tudo normal quando essas mulheres forem falar algo difamando as duas, deixem claro que isso é crime passível de processo ou até proporções maiores já que elas estao difamando tanta gente, e que de tudo que elas fizeram, essa é a menor dívida a se pagar com a justiça. Que deixem claro que conhecem muita gente homossexual e respeitada e que "C" não é mau caráter e todos a conhecem e sabem disso, então essas difamações não vão atrapalhar em nada a vida dela. Que elas vejam que estão erradas e merecem punição.
A família não diz ao avô também o que aconteceu de verdade e ele vai na faculdade de "C" pedir informações. Ele também foi falar com Maria, amiga de "C" sobre se ela sabia onde "C" estava. O pai de "C" é amigo do ex-sogro de um rapaz que estuda na sala de "C", e já pediu para perguntar onde ela estava, com quem andava, se eram pessoas boas, mas pelo que parece, eles querem descobrir onde ela está, para quê, não se sabe.
Agora elas vão começar a procurar um apartamento para "C" ficar, decidir o rumo da vida de "C" já que sua família não se manifesta para a judar. Se o pai continuar pagando sua faculdade, já será uma grande ajuda, e que o tempo feche as feridas de "C" e de sua família, pelo menos de seu pai, e que seu tio esteja sendo verdadeiro quando se mostra disposto a ajudar.
Obrigada a todos que continuam com "T" e "C", elas precisam de vocês, ninguém sabe ao certo se eles vão deixar isso como está.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Quebrando barreiras? Milagre?


Avisando que estamos bem, a vida está caminhando e Deus vai ajudar a ter a família de volta, aceitando ou pelo menos respeitando, e tudo caminha para isso. "C" foi muito corajosa e está bem determinada com seus estudos. "T" está trabalhando muito e sempre presente na vida de "C" para qualquer coisa que ela precisar. A cumplicidade das duas é única, a fidelidade e o amor também.


Mais uma vez, incessantemente esse blog agradecerá a todos os amigos-irmãos de "C" e "T", sem vocês não sei como estaria essa situação.
MUITO OBRIGADA.
Como o tio dela mesmo disse:


"Ela quebrou qualquer barreira que tínhamos de preconceito."


Vamos esperar um pouco e ver o que acontece.
Rezem.

terça-feira, 27 de maio de 2008

O caminho...



O caminho a ser seguido ainda é longo, difícil. "T" tenta se recuperar para trabalhar, é difícil pois ela tem que deixar "C" na casa do amigo e não sabe se ela vai ficar bem sem sua companhia. "C" tem acesso a internet na casa do amigo e os amigos das duas sempre estão por lá para conversar, trocar idéias e "C" poder desabafar e resolver seus problemas.
Outra aliada apareceu hoje para o dia ficar melhor. Dani. Ela foi psicóloga de "C" quando mais nova e ofereceu sua ajuda, sua casa, acompanhar "C" para comprar algumas roupas e o que ela precisasse. Existem muitos anjos na vida delas duas, parece que o amor delas contagia a todos por onde passa, faz as pessoas sentirem de longe toda energia boa de um amor verdadeiro.
Elas se cuidam, quando uma cai a outra logo levanta, e vice-versa. Sempre estão prontas para repetir qualquer palavra de apôio, mesmo longe, elas sempre souberam como chegar perto do coração da outra.
A família de "C" está calada. É de se pensar que eles esperam que quando "C" esgotar seus recursos e seus amigos a abandonarem, ela volte para casa por causa do lado material que eles sempre a ofereceram de sobra. "C" tinha tudo que queria materialmente, mas dentro dela, faltava o amor desprendido e verdadeiro, esse que ela recebe e sente por "T", esse amor que ela recebe dos amigos, de pessoas muitas vezes desconhecidas que reconhecem sua luz.
"T" e "C" fazem parte de uma história de seguir sonhos, amor, e elas parecem ter tudo para poderem já estar juntas. Mas os passos ainda têm que ser bem calculados. Não adianta correr agora se "C" tem faculdade para resolver, cartões e pendências que seus pais deixaram sem resolver de propósito para prejudicar o futuro de "C". Ela não consegue pagar fatura do cartão porque a atendente não manda boleto para o e-mail dela sem que ela tenha o número do cartão. Essa é uma das dificuldades encontradas pela maldade de seus pais. Eles querem que "C" se dê mal na vida, mas sempre haverá uma solução, nem que a justiça tenha que, mais uma vez, entrar em ação contra eles.
Por que eles não deixam ela em paz? Deixam-na viver sua vida, mesmo que longe deles já que eles não a aceitam?

Não adianta querer seguir o sonho sem agir direito, não adianta pensar só que quer o objetivo sem agir corretamente, com responsabilidade, garra, determinação, indo atrás do que se quer. Essa situação exige planos traçados, segurança, proteção e tempo, e seguir tudo isso à risca, sem deixar impulso ou lado emocional abalar nada.

sábado, 24 de maio de 2008

A história de Gideão, um homem valente...



Gideão estava malhando o trigo no lagar, quando o Anjo do Senhor apareceu. Os Midianitas, que reinavam sobre Israel naquela época, apareciam contra eles e roubavam-lhes toda a produção da terra na época de colheita. Gideão estava com tanto medo deles que estava malhando o trigo secretamente no lagar. Naquele instante, o Anjo do Senhor apareceu a ele e disse: “O Senhor é contigo, homem valente”.

Embora o Anjo do Senhor o chamara de “homem valente”, pela sua visão, ele não era um homem valente, mas um covarde e fracote que não tinha bravura em nada. Ele não conseguia entender porque Deus o chamara de “homem valente”.
Ele perguntou a Deus: “Ai, senhor meu, se o senhor é conosco, porque nos sobreveio tudo isto? E que é feito de todas suas maravilhas que nossos pais nos contaram, dizendo: Não, nos fez o Senhor subir do Egito? Porém, agora o senhor nos desamparou, e nos entregou nas mãos dos midianitas” (Juízes 6:13).
A resposta de Deus foi ainda mais difícil para ele entender. Ele disse: “Vai nessa tua força, e livra a Israel da mão dos midianitas; porventura não te enviei eu?”. Gideão não estava convencido da promessa de Deus que ele o usaria para livrar os israelitas das mãos dos midianitas. Se ele achasse que ele era verdadeiramente um homem valente e uma pessoa distinta, ele conseguiria trabalhar confiantemente para Deus. Mas ele não conseguia facilmente aceitar a palavra de Deus, se olhando como um fraco e inútil. “Ai senhor meu, com que livrarei Israel? Eis que minha família é a mais pobre em Manassés, e eu o menor da casa de meu pai.”

Embora ele fosse verdadeiramente um covarde o mais fraco de Manassés e o menor entre seus irmãos, Deus iniciou seu trabalho através dele, logo depois Ele o chamou de homem valente. Ele foi guiado por Deus e depois destruiu o inumerável exercito dos Midianitas com apenas trezentos homens, como um homem valente. Assim como ocorreu com Gideão, da mesma maneira, os meios pelo qual vemos as coisas podem ser totalmente diferentes dos meios pelo qual Deus os vê.
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As novidades são que "C" não atende o celular, manda mensagem para dizer que está bem. E que o pai de "C" quer prejudicar o policial que a tirou de casa no seu emprego. Se ele continuar assim, ele vai se entregar para a polícia, ele está esquecendo que não foi preso porque "C" não quis pois quando a polícia chegou lá, o crime (tortura física, psicológica, maus tratos), estava consumado e foi pego em flagrante. Vamos salvar o emprego do policial.
Não temam. Rezem e continuem com a gente. Se tem alguém que deveria ter medo, esse alguém seria "T" e "C", mas elas não estão com medo algum. O que os fazem parar, são seus pensamentos de que elas estão muito protegidas, que muitas pessoas as cercam e, qualquer coisa que aconteça com elas, eles estarão encurralados. Não deixem de freqüentar o Blog, precisamos de vocês como nossos soldados de energia positiva, nós precisamos de MUITA oração para que o coração deles fique na luz.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Ligaçao de "C" para o tio e avó...


Por volta das 18h do dia 21, "C" manda a tão esperada mensagem para o tio. Enquanto isso, ele falava com "T" pelo celular. "C" estava nervosa, ansiosa, com receio de ouvir a voz de seu tio, "C" queria sumir.




"T" encorajou "C". Sempre que uma não está disposta, a outra faz de tudo pra ajudar, é assim o relacionamento lindo, sincero dessas duas mulheres que anda encantando e abrindo os olhos de muita gente para se permitirem ao amor.

Despois de desligar com "T", o tio de "C" viu a mensagem e retornou na mesma hora para ela. "C" atende ao telefone normal...seu tio fala direito com ela, um tom de preocupação, um tom sincero de entender o porquê daquilo tudo. Seu tio pergunta onde ela está, com quem, se está bem, diz que precisa de um favor seu pois sua avó está muito mal, a base de calmantes; sua avó encontra-se totalmente grogue. Antes disso, ele explica a "C" que para preservar a imagem da familia e principalmente a sua, eles inventaram que "C" se apaixonou por um rapaz que, digamos, não vale muito.....Em outras palavras, um marginal. Ela engole seco mas não quer briga naquele momento, apenas o ouve.

"C" diz a seu tio que está bem sim, não responde as perguntas de onde ela se encontra, nem com quem mas garante que está bem e não é para se preocuparem. Seu tio pede que "C" ligue para a casa dele, dá um número que ele garante não ter identificador de chamada mas enfatiza q "C" precisa falar urgentemente com sua avó. Ela então concorda e liga mas infelizmente seu celular ainda não está disponível para fazer ligações, pois Rúfia o comprou no mesmo dia e a operadora precisa de um tempo para cadastrar a linha. Sendo assim, ela manda uma nova mensagem para o celular de seu tio explicando que não consegue realizar a ligação. Seu tio retorna pedindo para ir a algum telefone público, fazer qualquer coisa mas falar logo com a sua avó! "C" prefere não se arriscar, não ir para nenhum telefone porque caso haja identificador de chamada eles iriam saber em que parte da cidade ela está. Ela não manda mais notícias.

Mais tarde seu tio liga novamente e avisa que está em casa, explica que "C" deve alar pausadamente com sua avó pois ela já está delirando. "C" se dispõe a falar com sua avó e com um grande susto, não reconhece a voz daquela mulher que ela tanta ama. "C" se emociona mas não chora. Ela tem que ser forte naquele momento tão importante...era o primeiro contato com sua família depois de 5 dias. Sua avó fala estranho, baixo, sem voz...uma voz rouca, sem vida, parecendo não pertencer aquele mundo.

"C" diz que a ama muito e não é para ela se preocupar, explica que está bem sim e que é para sua avó ficar bem, se cuidar. Sua avó começa a repetir várias vezes sem deixar "C" falar..."eu te amo, eu te amo, eu te amo...você é a minha princesinha...eu te amo, eu te amo, eu te amo".

Aquilo partiu o coração de "C"..ela se cala por alguns segundos e sua avó pede que ela não desligue. "C" garante que não irá desligar. Sua avó passa o telefone para o priminho mais novo de "C"...Diego tem 10 anos, é um menino muito danadinho e muito carinhoso. "C" pede pra ele cuidar de sua avó e manda ela abraçar sua irmãzinha que ela sente tanta falta. Diego fala em um tom de choro, passa o telefone ao seu pai (o tio de "C")...ele então agradece a "C" e desliga o telefone.

"C" recebe a ligação de "T" e explica com todos os detalhes como foi a conversa. Enquanto "C" ia explicando, ela começa a notar que poderia ter sido feita de idiota. Seu pai não quis falar, nem sua mãe, nem ninguém mais da família...aquilo realmente era muito estranho. As duas começaram a juntar as peças...será que a avó de "C" está fingindo? Fazendo algum drama? Isso é impossível de saber...mas uma coisa é certa..."C" está irritada pela história que sua família inventou para os demais familiares! Um marginal?!? "C" NUNCA usou nenhum tipo de drogas! "C" não pe desse nível. Ela sabe as pessoas que devem andar.

Nós temos mais amigos que imaginávamos.....


Depois que "C" saiu de casa e elas tiveram seu fim de semana maravilhoso num hotel, com todo conforto, com a ajuda de seus amigos, "C" voltou para Recife e "T" para Natal.


"C" foi para a casa de Luisinho, que foi muito gentil. No outro dia, "C" foi para a casa de Hugo. Ela começou a saber se virar, na viagem "T" comprou objetos básicos para ela, a mãe dela não a deixou pegar muitos pertences. Lavínia támbém ajudou-a com necessaire, entre outros objetos de uso pessoal.


No outro dia, seu tio ligou para "T" novamente pedindo notícias de "C". Ela disse que não tinha, eles falavam muito, sobre tudo, conversavam, mas "T" sempre tinha aquele pé atrás, pois não esqueceria jamais das ameaças feitas por ele. Será que eles estaria disposto realmente a ajuda-las? Ou queria conquistar a confiança de "T" para saber onde "C" se encontrava? "T" não diria jamais. Ele chegava a perguntar isso nas conversas, mas "T" disse que "C" ligava de número desconhecido sempre porque o lugar que ela estava, as pessoas não queriam que ela dissesse nem para mim por questões de segurança, para não terem que pedir proteção judicial contra eles também. Isso deve tê-lo assustado.


Ele chegou a pedir para "T" para esclarecer algumas coisas para ele, a respeito delas, abriu o seu coração, deixou que "T" abrisse o dela. Disse que estava confiando em "T" e que ela não poderia decepcioná-lo e que se "C" estivesse em Natal com ela e ela estivesse fazendo ele de besta e sua família toda preocupada, ela não sabia do que ele era capaz, ela ia conhecê-lo com raiva. "T" disse para que ele confiasse nela, que "C" não estava lá em Natal com ela, e jurou por sua mãe. Não mentiu. "C" estava em sua própria cidade. As conversas deles iam de onde "C" estava, à intimidade de "C" e "T". Suas vidas antes de ficarem uma com a outra, como aconteceu, o que elas sentiam. Ele tinha alguma necessidade de se informar sobre o fato de ser homossexual.


A família de "C" deixou de pagar cartão dela, faculdade, plano de saúde. "T" iria ver como chegar nesse assunto com o tio de "C" para fazer com que ela e os amigos pagassem isso por ela, ajudassem ela nesse sentido.


"C" iria ver um apartamento no mesmo edifício de Hugo para se instalar enquanto a família não tomava uma decisão de deixar "C" para lá ou apoiá-la em sua vida.


Rúfia havia providenciado um celular para ela, ia providenciar colchão, lençol, travesseiro, cobertor, pois ela dormia no sofá, no apartamento de Hugo.

No dia anterior Rúfia levou sanduíche, batata frita, chocolate e passou a tarde com ela, fazendo companhia. Na casa de Hugo, "C" também tinha acesso a internet, o que em sua casa, ela não poderia chegar nem perto.


Até o acordo da família dela aparecer, e ela saber que não seria espancada nem mal tratada em casa, ela não poderia aparecer nem para visitar sua avó doente. Teria que se virar no apartamento de Hugo e no seu depois. Ela se dedicaria enquanto isso a estudar para concursos de ensino médio, conseguir editais, tentar arranjar emprego para se manter e justificar seus gastos.


Foi decidido também que ela ligaria para a coordenadora do seu curso para saber como terminar o período da faculdade, só faltava um mês para isso. Será que ela conseguiria terminar o período pegando as aulas com os amigos, fazendo trabalhos, ou será que existiria alguma proteção para isso? Ninguém poderia segui-la, ela teria que se resguardar um pouco antes de sair de casa.

A avó dela chegou a dizer que preferia que ela fosse solteirona a ser homossexual. E "T" notou que o tio quer que ela minta para a avó, dizendo que não quer mais nada disso. "C" não quer mais voltar para casa, o tio deve querer fazer algum acordo. O problema é que eles se enrolaram mais ainda, só fazem besteira por cima de besteira quando disseram que "C" estava envolvida com um marginal para a família. E se o avô, por exemplo, colocar a polícia atrás de "C" para procurar esse marginal? Eles com B.O. feito, a polícia vai ver que não é ela que está com um marginal, e se eles investigarem a fundo, vão ver que tem B.O. feito em Natal também por "T" contra eles.
Mais uma vez é necessário agradecer aos amigos, sem eles, "C" e "T" estariam estagnadas na tortura e humilhação.
MUITO OBRIGADO A TODOS! CONTINUEM DANDO ESSA FORÇA!
A LUTA SÓ COMEÇOU!!!

terça-feira, 20 de maio de 2008

"T" fala 2 anos depois com o pai e o tio de "C"...

Eu estava voltando no carro de nossa viagem quando o pai de "C" liga para o celular do meu pai, a sorte é que o celular se encontrava comigo porque ele dirigia. Quando eu atendi e ele escutou minha voz, ele disse:

" "T"?"

"É sim. Quem é?"

"É "C pai", lembra de mim?"

" "C" pai" ?"

"Pai de "C". Tudo bom?"

""T", "C" está aí com você? Ela saiu de casa."

"Nossa! Não.. ela não está comigo não. O que houve? Aconteceu algo?"


"Ela não te procurou esses dias?"

"Não."

"Há quanto tempo vocês não se falam "T" ?"



"Há uns.... ...... 3 meses... eu acho... não sei bem o tempo.. por que?"


"Vocês não estão juntas?"

"Não, eu estou chegando de viagem hoje, não estava em Natal. Quando eu chegar lá ligo para o senhor."

"Esse numero é seu? ............ ?"

"Era, mas não uso esse número mais há muito tempo, por quê?"


"Porque saiu na conta dela uma ligação para ele no dia 04 e no dia 08 de Abril. Você falou com ela esses dias?"

"Não. Só se ligaram e caiu na caixa postal e cobrou porque realmente não uso mais esse número há muito tempo."

" "T", a avó dela está sedada, ela saiu de casa, e a gente quer saber se ela está bem"

"Onde ela está? Se ela não está com você agora que eu estou mais preocupado porque você é uma menina de família, mas esses amigos dela eu não sei quem são. Tem drogas no meio "T" ?"

"Não, quanto a isso o senhor não se preocupe. "C" não é disso, nem eu, Deus nos livre."

"Estou pensando em colocar o GOE atrás dela, por sequestro, para investigar onde ela está. E com certeza você vai ser ouvida também."

"Bem, se ela saiu de casa, sequestro não foi não é? E quanto a mim, o senhor não faça nada em relação a isso porque já fiz coisas sobre isso também."

(eu estava no carro e meus pais não podiam entender o que eu falava)

"Não, mas isso era só no caso de você ou ninguém saber onde ela está."

"Olhe, agora eu não posso falar, estou chegando em Natal de viagem, quando eu chegar lá ligo para o senhor. Vou tentar falar com alguns amigos em comum para saber onde ela está certo?"

"Eu aguardo "T". Obrigado."

Então eu continuei a viagem e mandei umas mensagens para o tio dela:

"Sr. Leonardo, não estou conseguindo entrar em contato com o sr. "pai de "C". Enquanto não chego em Natal, não dá para conversar agora. Para tranquilizá-lo, ao sr. e a sua familia, "C" está bem. Não entre em contato com nada relacionado a mim que já tem B.O. de ameaça que sofri e "C" saiu de casa por maus tratos, tortura psicológica, entre outras coisas. Ela é de maior e tem liberdade de ir e vir, não usa drogas, nem faz nada ilegal, está cheia de marcas no corpo e seu cabelo foi cortado? Ela não quer representar o sr. nem a sua familia pq ela os ama incondicionalmente, a todos vocês, mas não aceita mais esse tratamento por ser homossexual. Ela não foi sequestrada, ela pediu ajuda da polícia para sair de casa diante de tanta ameaça. É muito difícil ser homossexual, só sabe quem o é. Se vocês têm vergonha dela por ela ser assim, deviam usar o bom senso para ela ser feliz sem as pessoas saberem. É um assunto tão sagrado dela e das pessoas que ela escolheu para saber o verdadeiro "eu" dela. Não concordo que ninguém se afaste da família por nada nesse mundo, mas ela estava sofrendo muito sem o respeito e com os maus tratos. Eu estou aqui para o que precisarem, o tempo passou, mas ainda a amo muito e apesar de tudo, respeito todos da familia dela e sinto carinho de verdade. Não temos culpa de sermos assim e damos graças a Deus por termos nos achado e por sermos meninas de família. Não nos vimos mais depois de nossa conversa, e o senhor não imagina o quanto foi dificil. Esse é o meu celular, quando eu chegar em Natal, ligo para o pai dela. Não liguem para nada relacionado a mim, só para esse celular, que é o que uso. Quanto a essas ligações para aquele outro celular, realmente não entendi, só se ligaram e deu caixa postal. espero que fique tudo bem. "T". "

Depois o tio dela ligou para "T", que falou com ele, e falou de novo quando chegou em Natal, depois de ter combinando tudo com "C" na internet.

A avó de "C" estava sedada. Ele chegou a dizer que respeitava a opção sexual de "T" e "C" hoje em dia poque sabia que isso não mudaria mais, que era o que elas queriam mesmo. Disse que pela conversa, "T" era mais centrada que "C" e por "T" ser a mais velha, "T" tinha mais cabeça que "C". Agradeceu por "T" ter cumprido o acordo c ele e ele não ia atras de ninguém da família de "T". Disse que "T" só o escutasse, quando "T" começava a falar sério, ele dizia para ela ter calma e dizer que só queria que "C" ligasse para pelo menos falar com a sogra dele, a avó de "C".

"T" então disse que estava ligando para ele porque o celular do pai de "C" não estava atendendo. Então o tio disse que ele devia estar em reunião naquele momento e então "T" disse a ele que quando chegou em Natal, recebeu algumas mensagens de ligações de quando o celular estava desligado ou porque estava viajando. Disse também que havia uma contando o que houve e que ela disse que estava bem e disse um número que viu mas quando liguou, era número de orelhão de Boa Viagem. Então eles conversaram durante mais ou menos uns 45 minutos sobre tudo. Tiveram uma conversa amigável, em que ele falou até, que respeitava a opção sexual delas duas. Que sabia que era isso que "C" queria mesmo e como o pai e o tio de "C" tiveram o momento deles, a avó também teve o momento dela. Disse que há 2 anos atrás foi o momento deles, mas hoje, eles vêem que agora é o momento da avó. Sabem que se passaram 2 anos, ela não viu "T" e ainda é homossexual. Que quando a mãe viu a avó sofrendo, fez o mesmo. Disse que tudo que ela fez, foi como se fosse por causa da avó de "C" e não por causa de ninguém mais. Disse: qual o pai ou mãe que não bate no filho? "T" então disse: Mas dessa forma? Ela está toda roxa, com marcas no corpo. Ele então disse que foi o momento. e disse para "T" imaginar uma senhora de 68 anos, sabendo que sua neta é homossexual. "T" entendeu que teve o momento, mas não concordou com o tipo de tratamento. Por momento então as pessoas ficam com direito de espancar os outros? Matar? tudo por causa de momentos? Ele disse q sabia q foi errado, mas que era o momento. Disse que sair de casa, vai e volta, vira cachorrada. Disse que algum pai de amigo dela denunciou por sequestro e cárcere privado e pediu para "T" imaginar essa pessoa que ela tem como é o nível. Disse que o pai a levou e a policia atras quando saiu de casa. Disse que ia levar na casa do amigo, mas ela nem quis, pediu para o pai deixá-la na universdade para de lá, ela pegar uma carona. "T" então disse que ela devia estar muito assustada mesmo para fazer isso. Essa de ter cortado o cabelo dela e batido nela dessa forma...

Então ele disse que não foi aquilo tudo. ( mas todos os amigos que viram o estado de "C", viram que foi aquilo tudo sim. "T" então perguntou sobre a clínica psiquiatrica que eles iriam internar "C". Ele disse que não era internar, era só ela ter tratamento psiquiátrico, psicologico, ele não soube dizer bem o nome, por 15 dias e que o pai dela estava disposto a ir também para ver o que levaria uma pessoa a ser homossexual.

O tio disse que deu 50 reais a "C" para ela pegar uma passagem e ir para Natal ver "T" mas que "C" esperasse até terminar a faculdade para ir morar com ela. Ele dizia que era só isso que ele queria. Disse que ela diria à avó que não queria mais ficar com "T", pedia desculpas, mas dizia que ia sair com alguém, e ia para outro "lado", era isso que ele queria.

Disse que sabia que era isso que ela queria mesmo e disse que o pai dela disse o mesmo a ela. "T" então disse que faltou mais conversa nesse processo todo. Disse que quando "C" se formasse, ia morar onde ela quisesse. "T" disse que entendia que família era uma coisa sagrada, disse que com sua mãe na época que elas se assumiram para os pais, havia sido muito difícil, mas hoje a mãe dela a aceitava. O que ela não aceitava era que ela ficasse com "C" por causa da hostilidade da família dela naquela primeira época. Ele disse que preferia "T" com ela do que com essas pessoas que estavam com ela, que eles não sabem nem quem são.

Depois ele pergunmtou a "T" se ela conhecia algum advogado gay, médico gay. "T" disse que sim, e ele disse que ela conhecia porque fazia parte do meio, mas que os heterossexuais não sabem quem o são, que ela teria que ter cuidado com isso para não se formar rotulada. "T" disse que se isso tudo não tivesse acontecido dessa forma, as coisas estariam num rumo bem mais fácil e disse que quanto mais demorasse essa aceitação, as coisas só tenderiam a piorar. Ele disse que já havia dito que respeitava elas. Que só não queria que "C" não se metesse com gente que não presta. "T" então disse que com certeza ela estava com pessoas íntegras, que eles não se preocupassem. Ele então disse que estava falando como amigo, que confiava na força de "T" para achá-la. "T" então disse que ia pedir para ela ligar para ele se conseguisse falar com ela. "T" pôde falar do Padre, que ele disse que não seria bom contar para seu pai, que isso era uma coisa sagrada de "T" e "C"e que se contou para sua mãe, tudo bem, mas que não contasse para mais ninguém. Perguntou porque "C" havia contado para a avó, ele respondeu que não sabia, mas "T" sabia que a mãe dela havia obrigado ela a contar, senão contaria ela mesma no outro dia.

Disse que "C" chegou da faculdade e foi para a casa da avó e quando eles haviam chegado, ela já tinah contado. "T" só dizia: Nossa, que situação, não era para ela ter feito isso. Ela queria que ele tivesse dito que houve pressão da mãe de "C".

Ele disse que o pai dela tb disse a "C" q ela ficaria com "T". Mas "C" disse a "T" que eles disseram isso sim, mas também disseram que iam infernizar a vida de "T" e ela não pararia em nenhum emprego mais.

Ele também falou que por "C" esperar esse tempo todo por "T", ele já sabia que ela a amava e disse que se "T" a amasse também esperaria ela terminar a faculdade.

Pediu muito para que "C" entrasse em contato com a família, pedisse perdão a avó, dissesse que não queria mais, mas vivesse a vida dela.

"T" disse que veria com uns amigos em comum e qualquer coisa ligava e se eles precisassem de qualquer coisa, ou soubessem de qualquer coisa, podiam ligar para ela.

"T" também disse que ele não se preocupasse que ela entendia o que é família e não concordaria com a atitude de ela sair de casa mas o quanto ela conhece "C", o que a fez sair de casa deve ter abalado muito ela.

"T" deixou de ir trabalhar nesse dia pois a conversa estava bem longa e ela perdeu a hora no trabalho.

"T" havia dito que a pessoa com quem ela falou não autoriou dar o nome para não ter que pedir proteção judicial também por saber da história e poder fazer parte das ameaças deles.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Postagem de "C"

Vocês não fazem idéia de como a situação é complicada, difícil, dolorosa.

Sinto muita saudades de casa, principalmente da minha irmãzinha que eu tive que deixar.

A "T" recebeu uma ligação do meu pai, perguntando por mim e comunicando que minha vó está hospitalisada. É muito doloroso isso, apenas isso. Mas o suficiente pra me deixar pra baixo porque sempre amei e respeitei minha vó e ela também sempre me amou mais do que todos e tudo nesse mundo. Não quero falar sobre isso.

Essa foi a notícia de hoje, de agora! Resolvi postar logo como uma forma de agradecer a atenção de todos que por aqui passam, comentam, se expressam e conhecem nossa história.
Isso não é um filme. Isso é vida real! E sinceramente não acredito que esteja acontecendo comigo! Minha família!EU!

Por que logo comigo? Por que isso foi acontecer? Será que fiz o certo? Será que Deus tá do meu lado? Será que tenho coragem de olhar pra cara daqueles que tão me fazendo passar por esse momento tão sombrio?

Ando na casa de amigos. Não fazia idéia de que tinha amigos. Juro que não sonhava com isso. Como é confortante saber que eu tenho um lugar pra ficar, que eu tenho pessoas dignas, boas, de bem do meu lado. E saber que não tão me ajudando por pena mas sim por amizade e consideração. Todos ajudam, todos ligam, alguns ficam chateados porque eu não tive como ligar pra dar notícias...

Esse fim de semana foi muito lindo! Vi meu amor depois de muito tempo...tava morrendo de saudades dela...toda linda, toda cheirosa me esperando. Um lugar lindo, tranquilo...com o mar na frente nos abraçando. Mas não saímos do quarto, lógico que não! A única coisa que posso adiantar por enquanto é que foi lindo...de imediato nós só nos abraçamos. Passei mal por uns minutos pois emoção de ter meu amor alí na minha frente, depois de tanta coisa, era muito grande.

Ficamos por muito tempo deitadinhas, só sentindo uma a outra, matando a saudade, matando aquela falta de ter minha "T" comigo, em meus braços. Ela me protegeu e me beijou muito; me fez sentir o carinho dela.


Esperem a próxima postagem...muita novidade pra contar. Continuem nos apoiando. Se lotar os posts eu escrevo coisas proibidas aqui. =x hihihi...

Se cuidem e obrigada por tudo!

sexta-feira, 16 de maio de 2008

* ETAMQOEMQA *


Hoje foi um dia muito importante em nossas vidas. Depois de tantas ameaças, violência, cárcere privado, tortura psicológica, física em "C", maus tratos, os amigos de "T" e "C" denunciaram os pais de "C". A polícia foi em sua residência e finalmente a tirou de lá.
A mãe só deixou ela levar o básico em um saquinho plástico. Disse que ela não teria mais luxo nenhum. A mãe dela sempre foi por esse lado material para segurar "C" e ferir o orgulho dela. A mãe ainda disse que ela era um monstro, xingou "T", ainda depois de tudo isso, disse muita coisa.
O pai e o tio diziam que estavam só tentando fazer com que ela melhorasse. Que ela iria para um tratamento psicológico. Que argumento homofóbico. "C" não estava doente. Aquilo tudo era homofobia e muita tortura.
Ela seguiu com o pai para a faculdade e a polícia no carro atrás escoltando-a. O pai de "C" foi calado de casa até a faculdade e só disse: "Que beleza heim "C"? Escoltados pela polícia." E na despedida disse: "Não olhe para trás, não me abrace, não me beije e seja feliz. Tirou todo dinheiro de sua carteira e deu a "C", até os trocados."
Érico enquanto isso estava na delegacia da mulher em Recife, tentando fazer um mandado de busca para ir resgatar "C".
Na universidade, "C" encontrou seus amigos novamente, que a acolheram, deram apôio, e "C" e "T" vão ser gratas a todos para o resto de suas vidas. Elas foram muito amparadas, eles não as deixaram um momento sequer.
Ela seguiu com o pai para a faculdade e a polícia no carro atrás escoltando-a. O pai de "C" foi calado de casa até a faculdade e só disse: "Que beleza heim "C"? Escoltados pela polícia." E na despedida disse: "Não olhe para trás, não me abrace, não me beije e seja feliz. Tirou todo dinheiro de sua carteira e deu a "C", até os trocados."
Nessas horas nós só pensamos na questão: Por quê eles não evitaram tudo isso e davam amor a "C"? Espero que um dia eles a procurem para selar a paz aceitando-a como ela é. Ela é uma menina de ouro, digna, forte, um exemplo de mulher, admirada e cercada de amigos fiéis. Dentro de casa, "C" só ouvia que ela não tinha amigos pelos pais, ela acabava achando verdade em tudo que eles diziam, de tanto que escutava. Mas nesse momento, acho que agora eles acreditam que ela realmente tem amigos de verdade mas não podia mostrá-los porque eles condenavam a todos que não fossem do modelo que eles imaginavam uma pessoa ser.
"T" foi trabalhar com muito medo de seus pais atenderem o telefone de casa. Depois foi para a delegacia da mulher e fez um B.O. para ter um respaldo legal caso eles a ameaçassem de novo.
"C" então foi para a casa de Kenny com Rúfia, Parvati e logo depois, chegou Luisinho para surpresa de todos. Parvati e seu curso de cabelereiro iria dar um jeitinho no cabelo de "C". Compraram pizza, "C" podia falar com "T" o quanto quisesse graças à bondosa TIM.
Amanhã Lavínia levará "C" ao encontro de "T" em outra cidade.
Obrigada pela atenção e apôio constante a Elba, Rúfia, Solange, Érico, Maria, Luisinho, Amira, Parvati, Peti, Baby, Zito, Lego, Toni, Lavínia, Plenitude pela coragem e Fran e sua amiga Valerie ( que arranjou lugar já para "T" e "C" ficarem caso "C" vá para Natal.
Espero não ter esquecido de ninguém, vocês são pérolas, nossos amigos de verdade, alguns "T" nem conhece pessoalmente mas já são.
NOSSO MUITO OBRIGADA!!!!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

DIAS DE HOJE!!!! Ajudem-nos!!!!!

Eles Espancaram ela... o cabelo dela tah no pescoço.. q cortaram... meu Deus
querem internar ela numa clínica psiquiatrica!
o tio dela disse q vai acabar c minha vida
emprego
tudo
eles tao ameaçando
e ela disse q se eles vierem p mim eu vo processar
aih o tio dela disse
vah... ela q processe
me ameaçaram p ela
mas dia 30
o pai dela vai me ligar
dizendo q ela vem p ca
ele disse isso a ela
q ela vai passar 15 dias
em tratamento psiquiatrico
p a avó dela ver q ela n tem jeito
e manda ela p ca depois
e o tio dela disse q vai acabar c nossa vida
a mae disse q n vai mais pagar faculdade
nem o cartao dela
p ela fik c o nome sujo
e n ter mais emprego
e vao ligar p meus empregos e acabar cmg p acabar c minha reputação e minha carreira profissional
o tio dela disse q minha vida ia virar um inferno
eles dizem q ela pass 15 dias lah em ttt psiquiattrico e depois eles mandam ela p ca... ms ela tah c medo de fik internada p sempre.
eles ainda nem ligaram p mim
eles vão lah em casa algum dia
falar c meus pais.

terça-feira, 13 de maio de 2008

19º dia – 01-07-06 – Sábado




19º dia – 01-07-06 – Sábado

Nesse dia o Brasil estava fora da copa da Alemanha, perdeu para a França, todos colocavam a culpa em Parreira. Enquanto isso, no mundo de "T", o maior acontecimento era que quando ela foi almoçar, a babá ligou duas vezes e ela ficou triste por não ter visto.
Outra oportunidade perdida foi quando "T" foi para a missa, tinha outra ligação do celular da babá mas depois quando "T" chegou em casa, ela ligou novamente e disse que qualquer recado "T" poderia mandar por ela, ela ainda não sabia que "T" e "C" estavam namorando. "T" pediu para ela dizer a "C" que ficasse bem, que ela estava ali esperando por ela o tempo que fosse preciso e pediu para que ela tivesse forças e agradeceu à babá por tudo. Pediu também que ela ajudasse "C".
"T" ainda estava doente. Sua imunidade vivia lá embaixo de tanta tristeza por tudo que acontecia na vida delas.
Nessa época Rúfia já não entrava mais na internet para conversar com "T", tinha sua vida para cuidar, sua mãe havia viajado para Espanha e ela estava triste com isso. Tinha suas provas, seus afazeres. "T" então começava a adquirir forças por ela mesma, foi uma fase de adaptação que ela começou a sentir a dificuldade de "C", de passar por tudo aquilo dentro de casa, sem ninguém para conversar. Com sua mãe, "T" também não tinha coragem de voltar ao assunto, ela ainda estava muito chocada com as ameaças e havia um certo receio de uma falar com a outra sobre o que havia acontecido.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

"C" Ligou para "T"..


30-06-06 – sexta-feira (18º dia)


Pela manhã "T" foi comprar créditos para Rúfia falar com "C" caso desse. À tarde foi para o trabalho. Seus dias continuavam mórbidos, frágeis e vazios sem "C".
"T" então foi para casa tentar mais uma vez fazer sua monografia, sem sucesso, não se concentrava, seus pensamentos eram levados até "C", sua angústia não terminava nunca, até que algo interrompeu suas divagações: seu celular vibrava, e na tela o nome da Babá.
"T" sentiu seu coração acelerar e uma lágrima caiu do seu olho como se fosse só apertar um botão para que isso acontecesse, ela não acreditava, era hora de esperar aquele celular ligar novamente, e algo dizia que quem estaria do outro lado da linha, no celular da babá, seria o amor da sua vida, "C".
O celular toca novamente, dessa vez sem ser só toque, era para atender. "T" então o fez e do outro lado lá estava a voz penetrante de "C" em "T", a perfurou numa confusão de sentimentos. Felicidade por te-la de volta depois de tudo que passaram, o modo com que ela levava tudo e sua voz machucada retratavam, a saudade que apertava, a esperança e todos os traumas deixados pela família de "C" que podem ser traduzidos como uma única reação: O medo.
Todos esses sentimentos ruins perdiam forças para os bons. A voz de "T" calava o medo de "C", trazia paz para seu coração, trazia forças para que ela lutasse. A vontade delas estarem juntas, estancava a tristeza, reluziam provas do quanto elas se amavam e eram cúmplices, agora mais ainda, pois aquele amor era proibido pela família de "C" mas elas estavam ali, não respiravam com facilidade só de ouvir suas vozes juntas novamente, e como sempre, quase se ligavam fisicamente através de uma "simples" ligação telefônica.
Elas falaram de tudo que passaram, desabafaram tudo uma com a outra como se tivessem achado seus lugares, seu socorro verdadeiro, traçaram planos, acalmaram uma a outra, se sentiram, podemos dizer que até olharam no olho uma da outra e confirmaram toda confiança que uma sempre depositou na outra, e resolveram seguir em frente, acima de toda dificuldade, o amor não havia morrido, não havia sequer levado um arranhão, pelo contrário, o amor estava ali, intacto e mais forte do que nunca.
Dizem que é na dificuldade que se aprende, e elas aprenderam nesses tempos muito mais do que o sofrimento ensinou, mas também aprenderam com o amor que elas não podiam compartilhar conscientemente com a outra. Aprenderam a dar valor a uma ligação telefônica que fosse, a uma notícia, a um mínimo recado de terceiros dizendo que uma amava a outra, elas aprenderam a conviver e a se amar como nenhuma outra pessoa seria capaz, e a partir desse momento, elas sabiam que teriam um longo caminho a percorrer para passar por cima do orgulho da família de "C", elas não sabiam nem quando iam se ver novamente, não sabiam se poderiam se falar diariamente, só tinham certeza de um fato:
Estavam juntas, de mãos dadas.
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"Estou com você para tudo nessa vida e na morte."
"C" para "T".

sábado, 10 de maio de 2008

Processo para "C" falar com "T"...


27-06-06 - terça-feira (15º dia)



O dia estava horrível para "T". Ao mesmo tempo que foi ótimo saber notícias de "C", que ela estava lá esperando por ela, doía muito saber que ela havia sido tão torturada pelos pais, pelos tios, doía muito pensar em cada detalhe, e em sua própria vida, que corria riscos.


Pela manhã ela foi trabalhar, estava doente, mas foi. Teve jogo do Brasil, ela saiu do quarto a pedidos da mãe e foi assisti-lo na sala com seus pais, mas o resto do dia ficava só, em seu quarto, esperando Rúfia chegar, tentou fazer sua monografia do final de sua pós graduação, não conseguia, só pensava em "C". Seu amigo a ligava todos os dias para saber como ela ia de monografia, ela só enrolava, evitava falar com ele, não tinha nem forças para isso.


Rúfia chegou à noite na internet mas não pôde falar com "T" porque havia reprovado em uma matéria da faculdade. "T" já começava a pensar em como livrar "C" daquela casa, ela não conseguia imaginar que ia ter que ficar parada diante de tanto terror na própria casa de "C". Ela se sentia uma criança com medo de um trem fantasma que já durava 15 dias, um pesadelo interminável.


28-06-06 – Quarta (16º dia)

"T" perdia a vida em cima de sua cama. Estava lá sempre quando não estava comendo ou trabalhando. Ela estava muito mal. Só pensava no quanto os pais de "C" não tinham coração. Resolveu comprar celular novo e chip novo para que "C" pudesse ligar para ela de algum lugar. "C" precisava dela e ela ia se arriscar sim.


29-06-06 - quinta-feira (17º dia)

"T" foi para o trabalho e no horário de seu almoço foi comprar o celular e o chip novo.. Rúfia disse que "C" havia ligado do celular da empregada várias vezes mas ela estava dormindo e não atendeu. "T" então ficou muito preocupada pois "C" poderia se sentir desamparada, como se ela e Rúfia não estivessem alertas para algum sinal dela. Ela tinha que se sentir protegida.


"T" acordava todos os dias as 5:45HS AM para dar bom dia a ela, como elas faziam quando se falavam. "T" sempre acordava "C" com um bom dia para ela ir para a faculdade. Ela também se sentia protegendo "C" todas as noites, como também fazia quando elas podiam se falar.


Rúfia havia mandado o número do celular novo que "T" havia comprado para falar com "C" para a babá, agora só deveriam esperar a ligação de "C".

quinta-feira, 8 de maio de 2008

"C" consegue ligar para Rúfia....



26-06 – segunda-feira (14º dia)

"T" ainda estava em Campina Grande com a família, acordou com aquele vazio no peito, do seu dia a dia, que não mudava. A ausência de "C" a machucava mais que qualquer coisa. Chegou a hora de "T" voltar para Natal e começava a pensar se ela tinha se entregado, desistido dela, que ela poderia não acreditar que "T" ainda a esperava.

Rúfia tinha ido no colégio do irmão dela levar umas coisas para ele e o celular dela tocou umas 10 vezes de um numero da claro e ela não sentiu. Depois ela recebeu uma msg dizendo:

"ATENDE"

Rúfia então atendeu. Era "C"!!! Rúfia reconheceu logo a voz! Ela nem acreditou! “C” falou para ela comprar um celular novo. O crédito havia acabado e "C" foi comprar mais.

"C” disse o que estava acontecendo, que a mãe dela tinha levado a bebê, irmã dela ao médico e fez ela prometer por tudo que não ia fazer nada. A empregada da casa estava lá, lavando o banheiro, assim que a mãe de “C” saiu, ela ligou. Ela disse q o tio havia contratado dois seguranças que nem eram seguranças, eram matadores, que ela apanhou da mãe, que o pai colocou uma espingarda 12 na frente dela, disse que a mãe a levou numa Madre, mas falou para ela que o problema era um namorado ruim. Que “C” tinha q rezar todos os dias o Salmo 34. Que descobriram Roberto, (ex professor particular de "C", que as ajudou muito no começo do namoro e a psicóloga ruim disse que ele que as acobertava, as meninas ficaram preocupadas com ele. "C" disse que pai dela foi atrás dele, que ele dizia: "aquele gay safado!"

Pegaram todas as cartas de “C”, as de amigos normais, as de "T", rasgaram tudo e jogaram em um saco de lixo, ela e a tia. "C" dizia que isso ia dando facadas em seu coração. A mãe de "C” puxou do pescoço dela a estrelinha que "T" havia dado a ela, a aliança estava com a a babá, elas conseguiram recuperar. A babá ligava porque era ela quem pedia mesmo. Que colocaram tudo dentro daquelas sacolinhas de polícia. Que estão lendo tudo, o celular dela.

A tia dela perguntou quem era Rúfia, e "C" disse que era uma amiga do cursinho dela. Ela disse que estava fazendo auto-escola mas a mãe ia atrás no carro seguindo o dela.

Ela disse que voltava para a universidade também. Que foi para o psiquiatra e que ele disse que para a idade dela, era o que ela queria mesmo. Ela estava indo para a psicóloga boa, mas o pai disse que ela só iria para mais 3 sessões. e que o tratamento com a psicologa ruim era mais eficaz, falou até em tratamento com sessões de choque (isso não existe, e é crime hediondo!Tortura!), ela disse que tinha que fazer o jogo deles, dizendo que não queria mais, que queria ser digna, que a mãe saiu do emprego e a fiscalizava 24 horas por dia. Até na hora que ela se levantava para ir no banheiro, a mãe perguntava onde ela ia e acompanhava "C" e OLHANDO o que ela fazia, para ela não ter nenhum celular com ela.

"C" também disse que eles falaram para ela que foram na pousada que elas se encontravam também, com policiais e disseram para avisá-los caso as duas aparecessem lá.

"C” perguntou a Rúfia se "T" iria esquecê-la, Rúfia disse que "T" que vinha com esse medo às vezes. Rúfia então contou da promessa de "T" de não tomar refrigerante, de não comer chocolate, disse que "T" não estava bem. "C" então soltava algo como:

"ooww “T” ow..." e suspirava..

Disse que iria viajar para São Paulo com os tios. Disse que tinha ligado para "T" um dia do carro na auto-escola, quando pediu o celular do professor. "T" realmente um dia recebeu uma ligação e estava em silêncio, e ela só ouvia som de carro, e sabia que era ela, mas achou que era só esperança.

"C” disse que nunca iria desistir de "T", que eles fizessem o que fosse, ela não desistiria do seu amor e só estava quieta para protegê-la."C” falou com muito sentimento que a amava. Ela não sabia que "T" havia sido ameaçada.

Rúfia reacendeu uma esperança enorme no coração de "T" quando contava essas coisas para ela. "C” disse para Rúfia tomar conta de "T" porque ela era muito "aluada".

“C” disse que só não fugia por causa das ameaças à vida de "T" e pediu para perguntar a “T” se mais na frente, quando ela conseguisse sair de casa, ela poderia ir para Natal ficar com ela, e Rúfia já respondeu sem nem perguntar a "T", com toda certeza que “T” aceitaria sim e que “T” estava muito triste, mas que a amava muito e ia esperar por ela nem que fosse pelo resto da vida.

"C” disse que ia ver se conseguia ir saindo aos poucos com amiga de confiança da mãe dela pro shopping, mas que não sabia se os seguranças iam com ela. Rúfia contou da mãe de "T", contou que o pai dela disse para ela não entrar em contato com "C" pela mãe dela, porque ele seria capaz de fazer o pior. A mãe de “C” pediu para ela não entregar o pai, ainda bem que ela no fundo sabe que eles estavam errados. Rúfia disse que "T" por mais longe, estava muito perto de "C", sempre.Que "T" pode estar no meio de uma multidão, mas ela sempre estava com "C". "C" também havia lembrado do dia 25, no São João, enquanto "T" pensava a mesma coisa. Suas cabeças, naquela noite, estavam conectadas, por mais que tudo conspirasse contra e elas estivessem separadas de corpo, era só olhar para a lua, e era o que elas faziam.

A mãe de Rúfia também tinha medo dela se envolver e acontecer alguma coisa com ela. “C” disse que estavam todos contra ela. A tia, o tio, todos. Que seu pai afirmou que era capaz de exterminar "T" e exterminar sua família e ainda disse:

“acidentes acontecem”

Eles não viam "T" com olhos de quem amava a filha deles de verdade, a viam com olhos “da mais velha que a levava para o mal caminho”. "T" era um monstro para eles. "C" era obrigada a pedir perdão a eles por tudo que havia feito. Eles ainda ameaçavam denunciar "T" alegando que "C" era menor de idade. A mãe dela achava que era de menor quem tivesse menos de 21 anos, mas não sabia ela que a filha dela tinha 19 anos e a maioridade se consegue com 18 anos. Na verdade, ela parecia se fazer que não entendia na intenção de fazer "C" acreditar nela, com o medo que "C" sentia, nem raciocinar, ela conseguia e acreditava em cada palavra ameaçadora dos pais e tios.

"T" estava muito feliz por ela não desistir do amor delas duas, mas estava chocada com o que faziam com ela, "T" sentia revolta, sentia vontade de ir lá, arriscando sua vida, e trazê-la com a polícia. Elas viam que se amavam mais do que imaginavam. O pior sentimento que incomodava "T", era ver "C" sob tortura psicológica e física, e não poder se mexer, a pedido de "C". "T" era ansiosa, triste, revoltada, impaciente, sentia-se incapaz de fazer qualquer coisa para salvar elas duas. Ao mesmo tempo, foi como sua vida começar a tomar um rumo com essa ligação de "C" afirmando que estava com ela, como foi para "C" saber que "T" também estava do outro lado esperando por ela o tempo que fosse preciso.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

E vinha mais um São João, ainda separadas..



24-06 - Sábado (12º dia)

“T” viajou as 9:40HS da manhã para Campina Grande, onde ia para o São João na granja com a família, após ter deixado mais um dia no ORKUT delas duas as letras: * ETAMQOEMQA *, "T" deixava lá todos os dias, caso "C" visse o Orkut algum dia na vida dela, para ela ver que na sua ausência, lembrava dela todos os dias. Antes ela adorava ir na granja, mas dessa vez não sentia o prazer de estar lá olhando o verde, curtindo o friozinho, as comidas típicas, ela sentia um vazio, angústia, desolação.


Foi para uma feira de artesanato com a mãe e as tias, "T" era triste e não fazia mais questão de esconder de ninguém. Quando estava perto de anoitecer, ela já se recolhia para dormir, acordava as 20:00HS e ficava jogando no notebook para matar o tempo enquanto o pessoal ia para o São João, ela não se animava para ir e sua mãe só se preocupava com o estado dela. Então foi em seu quarto e pediu para que ela fosse, que ia ser chato com a família. Então ela se levantou, e foi. Ficou lá sentada com os casais. Ela se sentia muito mal porque lembrava a todo momento do São João do ano passado em Gravatá, quando elas se conheceram e viajaram juntas para a casa de Carlota. Então deu meia noite...


25-06 – Domingo (13º dia)

... E elas faziam naquele dia 1 ano e 3 meses de namoro. "T" mandou mensagem para Rúfia arrasada. Que dia tão triste assolava "T". Ela acordou tarde, e quando foi se juntar ao pessoal, sua prima que é homossexual assumida, estava lá. "T" tinha muita vontade de ir falar com ela, mas sua mãe disse para ela se preservar.


"T" estava então sentada num banquinho, no jardim da granja e chegou o velhinho ( In memorian), empregado da granja. Ele leu a mão dela e disse que ela não deixasse a felicidade dela ir embora, ela chorou no banheiro, nem respirava direito, com o coração saindo pela boca, imaginando que um dia falaria com a família de "C" para ficar com ela nem que fosse a última coisa que ela fizesse em vida, "T" via ali a importância que "C" tinha em sua vida, que ela era realmente o amor da vida dela e ela não era feliz sem seu amor. "T" então dormiu, o que "T" fez mais nesse dia? Tomou remédio e dormiu. Será que seria assim o resto de sua vida? Como estaria "C"? Mal sabia "T" que no dia seguinte ela daria notícias.


O São João é uma data que traz muitos sentimentos diferentes para as meninas. O primeiro foi perfeito, as duas juntas em Gravatá e esse segundo, o mais triste e cruel.

9º dia e 11º dias. (Havia pulado o 9º)


Desculpem ter pulado o 9º dia, como ele e o 11º têm pouca conteúdo, aqui estão juntos:


A mãe de “T” está sendo uma amiga para ela, muito, tanto que ela aceitaria “T” com “C” se não fosse a família de “C”. "T" não estava sozinha, falou quem ela achava que era ou não gay e comentou que um amigo dela tinha jeito. Que era bom que “T” saísse com ele para disfarçar. Elas riram muito com essa situação. A mãe de "T" a aceitava, mas tinha medo dela sofrer preconceito se assumisse que era gay, então ela respeitou a mãe. “T” continuava com seu remédio controlado, por causa da angústia que ela estava sentindo. "C" era acompanhada por psiquiatra e psicóloga (a boa, que para seus pais dizia que ajudaria "C", ela aceitava e respeitava "C"). Será que seriam as meninas que precisavam mais desses recursos para tirar o sofrimento delas? Será que a solução não seria ter o amor dos pais sabendo quem elas eram? Elas pediam socorro e eles iam pelo caminho do erro, e persistiam no erro como pais, deixando-as sem escolha. Como um pai fala em tratamento de choque para a filha? O pai de "C" a via em depressão e dizia friamente que ela estava assim porque queria.


Rúfia avisava a “T” que se ela continuasse com aquela cara de morta perto da mãe, a mãe dela não iria mais querer ajudá-la e ia dizer que “C” estava fazendo mal. “T” concordou e prometeu melhorar. “T” estava acabada. O fato de saber que no fim da noite “C” ligava para ela para contar seu dia, todas as noites, que ria com ela e imitava a risada dela por exemplo, a fazia sentir uma saudade dilacerante. O sentido de qualquer coisa se perdia para as duas, elas estavam sem sua essência, que era a outra.


23-06 – Sexta (11º dia)

Hj é o dia do Sagrado Coração de Jesus, dia em que Rúfia e "T" fizeram a a promessa de irem as 3 numa missa, e ajudarem as pessoas que se encontrassem um dia nessa situação, com abrigo, ou qualquer ajuda. "T" foi ao trabalho, assistiu a Missa do Sagrado Coração de Jesus e pediu que "C" n a esquecesse e que o amor delas pudesse acontecer com a permissão das famílias. "T" continuava em sua cama, no seu notebook, em casa, sem sair, esperando por "C"


Sua promessa de não beber refrigerante foi posta a prova quando em sua casa tinha na mesa comida de São João e ela não tomava refrigerante, caixas de chocolate e ela não tocava em nenhum, mas não foi difícil pois ela não tinha vontade de comer. Rúfia não bebeu também.

domingo, 4 de maio de 2008

22/06/06 - quinta-feira (10º dia)



"T" escutava músicas do curso de italiano de "C", que ela costumava mandar pela internet. Estava sendo muito duro para ela ficar sem "C". Em nenhum momento ela se arrependeu de ter contado, era como se elas tivessem que passar por aquilo algum dia. Brasil x Japão na TV, para as pessoas aquilo era dia de festa, para "T", nada tinha significado. "T" não fez nada o dia inteiro, esqueceu sua monografia, esqueceu suas aulas de alemão, o consultório, só queria conversar com Rúfia na internet, vendo fotos de "C" com ela, relendo e-mails, enquanto "C" passava mais um dia em casa, proibida de ver até MTV, novela das 8, e até não podia ficar perto de sua irmã mais nova para não influenciá-la negativamente, como dizia sua mãe. Ela dizia que "C" não prestava, que tinha o diabo no corpo, entre outras coisas piores que me recuso falar aqui no blog para não virar baixaria. O nome de "T" já não era mais tocado na casa. "C" já perdia peso, a depressão a engolia cada dia que passava sem "T" e tendo a hostilidade dos pais.


Rúfia ficava impressionada com as palavras de "T", o amor que ela sentia, achava que não havia no mundo amor assim. Ao ver a tristeza de "T", ela começava a distraí-la fazendo jogos para ver se ela sabia as datas, as músicas, tudo da relação das duas, se ela lembrava, já que era a maior confidente das duas. E respondia certo, isso fazia "T" lembrar das coisas boas mas não saia de sua mente cmo estaria "C", que nem isso tinha. Rúfia também perguntou para "T" o que ela deveria dizer a "C" se um dia ela falasse com "C" e ela respondeu:

“ETAMQOEMQA são as letras do gabarito. Que não desista porque a prova é difícil mesmo e a professora está firme e forte. A diretoria da faculdade dela a aceitou.”


Rúfia riu demais, mas entendeu tudo que ela queria dizer a "C" e achou que "C" também entenderia. Foi nesse dia que Rúfia apresentou "T" a Parvati, sua amiga de faculdade, que disse que também estava triste com o namorado e elas se deram bem.


Amanhã será o dia do Sagrado Coração de Jesus e no dia de hoje, meia noite, "T" e Rúfia rezaram para Ele. Amanhã Rúfia irá para o interior e “T” estava com uma viagem para o Sábado, São João em Campina Grande com sua família.

sábado, 3 de maio de 2008

20-06 - 06 terça-feira (8º dia)



20-06 - 06 terça-feira (8º dia)


"T" foi para o trabalho pela manhã, todos estavam preocupados com seu compotamento triste. Ela não gostava de levar problemas pessoais para o trabalho mas dessa vez era mais forte que ela mesma. Sempre atendia seus pacientes com paixão mas ela estava muito apática, muito triste. A saudade batia como se fosse rachar seu corpo ao meio. "C" não poderia esquece-la, como ela viveria com isso? Ela teclava muito com Rúfia, com Meg ( uma amiga que no começo ela tirou algumas dúvidas quando ela descobriu que estava apaixonada por “C”, de internet).. Fran e Poly que estavam empenhadas tentando ajudar a "T" achar um apartamento para morar com "C". Elas duas eram as únicas pessoas na cidade de "T" que sabiam dela e do que passava. Fran ainda estudava, era irmã de um amigo de "T" e seu irmão. Ela deu muita força a "T". Poly era policial, e, como sabia o que poderia ser feito, dava dicas a "T", mas não falar com "C" para perguntar se tudo aquilo deveria ser feito, e o medo da mãe de "T" faziam ela parar, esperar, uma espera que dura até os dias de hoje. Todos falavam e deixavam "T" falar sobre "C" pra ela segurar sua barra. Elas a ajudaram muito.


"T" não tirava da cabeça a questão se ela deveria confiar na babá e hoje foi um dia que ela teve uns acessos de tremor, ficava tremendo mto na cama, sua mãe a cobria com vários lençóis, edredons e mesmo assim a tremedeira persistia, como um desarranjo nervoso.

Hoje a babá havia ligado para Rúfia para que "T" deletasse os e-mails de "C" mas "T" os colocou no e-mail delas duas. Ela também perguntou a Rúfia se ela tinha algum outro número que ela pudesse ligar, e se ela poderia ligar a qualquer hora, Rúfia afirmou que sim mas disse que não tinha outro número, mas que aquele não estava grampeado.


Rúfia se encontrou com sua professora que ela estava fazendo um trabalho sobre os homossexuais. Ela estava preocupada com ela porque ela se encontrava sentada na frente da sala, de cabeça baixa e triste. Estava com olheiras por não ter dormido direito e por ter chorado durante a madrugada inteira. Ela também estava com muito ódio da família de “C”. Era muita frieza o que eles estavam fazendo com ela. A professora entao ofereceu ajuda. Sentou para conversar com ela e Rúfia então contou-lhe a situação. Não deu nomes. A professora disse que se ela quisesse, ela mesma iria à delegacia da mulher e denunciava. A professora tem influência nessa área porque ela tem uns trabalhos sobre violência contra a mulher. Mas ela também disse que, por telefone, Rúfia mesma faria isso e a delegada iria lá e tirava "C" de dentro de casa. Mas pra isso, "C" teria que querer. Se ela não quisesse, ela retiraria a queixa e Rúfia poderia se dar mal.


Ela explicou que tem muitas mulheres que sofrem violência seja de qual for a categoria e forma de violência, mas não denunciava, e por isso ficam o resto da vida dependentes dos parceiros ou pais, no caso de "C". Ela deu força e disse que ela não se preocupasse, que se "C" quisesse apoio, ela estaria lá para ajudá-la, mas antes de tudo, "C"realmente teria que querer ajuda. Falou que a situação dela era complicada e que ela estava sendo mantida em cárcere privado, e que a família dela poderia sofrer punição severa. Antes de ir para casa, Rúfia ficou conversando com sua amiga Parvati, que percebeu que ela estava triste e se dispôs a ajudar mesmo não sabendo de nada.


Rúfia disse a ela que estava acontecendo algo muito chato e perigoso. Que ela poderia até morrer se a descobrissem. Parvati disse que se ela quisesse, poderia “se esconder” na casa dela. Rúfia então perguntou se não fosse ela e sim outra pessoa se ela faria o mesmo, e ela respondeu que se Rúfia dissesse que essa pessoa era suaa amiga, já bastava. Ela contou a “T”, que gostou de Parvati e pediu pra Rúfia guardar essa amizade.


Enquanto elas conversavam, Rúfia teve a impressão de ver “C” passar num gol marrom. Ela estaria no banco de trás do carro, e na frente, estavam um homem dirigindo e uma mulher do lado. Ela não sabia se era paranóia dela, mas ela percebeu a menina olhando fixo para ela. Estranhou, mas não tinha certeza se seria ela.


“T” ficou impressionada com o que a professora tinha dito e com o que Rúfia tinha "visto”. Rezava todas as noites para que "C" estivesse bem, na medida do possível, e sentisse que ela estava com ela, protegendo e sentindo muita falta dela, da sua voz, do seu carinho, do seu sorriso.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

O desabafo de Rúfia..


19-06-06 - segunda-feira (7º dia)

"T" e sua cama, ela vivia lá.. Nem na internet tinha mais forças de ir conversar, só deixava ligada à espera de notícias por Rúfia de "C". Não ia para seus cursos mais, só para seu trabalho fixo, nem em seu consultório ia mais. Estava deprimida.


Rúfia nesse dia foi para a faculdade fazer prova de Introdução ao direito e falou com seu professor sobre os que acontecia com as meninas sem dar nomes nem motivos. Ele falou que essa pessoa em questão estava sendo mantida em cárcere privado e que poderia denunciar os pais e que para saber se o celular estava grampeado era só ligar para a operadora e perguntar, mas que para grampear qualquer telefone, precisaria de ordem judicial.


Rúfia então contou tudo para “T” e ela ligou para a TIM. Eles informaram que ela não estava com o celular grampeado, que não grampeava dessa forma. “T” e Rúfia viram que isso de estar com o celular grampeado era terror deles. Não se preocuparam mais com isso.


Foi nesse dia que Rúfia disse a "T" que elas deveriam lembrar de tudo isso depois e perguntar a "C" o que havia do lado dela, de verdade. "T" então deu a idéia delas fazerem um diário, que deu origem a esse blog, juntando as partes de "C", "T" e Rúfia.


"C" depois leria o que elas escreviam, praticamente, o que Rúfia escrevia, pois "T" estava em depressão e nunca conseguia escrever quase nada. Elas fizeram isso por cada uma ter uma interpretação diferente ou ênfase a uma parte da história. Começaram a escrever nesse dia, relembraram os que passaram.


A mãe de “T” perguntava-lhe como ela se sentia, se ainda estava com angústia, “T” respondia que estava igual pela saudade e preocupação com "C". Ela ainda perguntou se “T” tinha tido notícias de “C” e pediu pelo amor de Deus para “T” não ir atrás dela. “T” disse que não tinha notícias e começou a desconfiar que naquela ligação que o pai de “C” fez para a mãe, ele a ameaçou. A mãe de “T” não comentou nada com relação a isso. Ela disse que ele tinha sido muito delicado com ela, mas mesmo assim ela tinha percebido que eles eram "fogo" e capazes de muita coisa.


Rúfia comentou com “T” que se “C” morresse, ela iria dizer aos irmãos de “C” quando eles crescessem que tinham sido os pais deles que tinham matado “C”. “T” disse que faria o mesmo.


Rúfia queria as meninas felizes independente de quem elas eram, de quem elas gostavam. Que o que elas sentiam era amor de verdade e bem diferente do deles. Rúfia não tinha medo de nada para ajudar as meninas e até dizia que se estivesse na frente deles e eles viessem ameaçar, ela ia dizer que "a pessoa nasceu pra morrer e que tava lá parada na frente deles e não tinha medo de ameaça não e que eles podiam matá-la ali mesmo. Mas que eles ficassem sabendo que a vida da voltas e castiga as pessoas, que o que ta acontecendo na vida deles poderia ser um castigo por alguma coisa errada que eles cometeram e pra mostrar a eles que orgulho destrói felicidade. Que ela poderia ser nada perto deles, mas que o que eles pensassem ou fizessem com ela não mudaria a situação de “C”. Porque ela, mesmo no Japão, sem ela nem, inclusive “T” por perto, iria gostar de mulher. E já que ele ia matar ela, então antes iria ter que escutar essas coisas.


Ela diria também que nem devia estar dando essa dica, mas diria a ele que aqui se faz e aqui se paga. Que se ele estivesse querendo demonstrar o amor dele pela filha com essa atitude ele só estava destruindo. Que ela só ia odia-lo cada vez mais. E no futuro iria desprezá-lo. Diria também que a matando, se ele não fosse para a cadeia, a vida ensinaria várias maneiras de punição e ele ia sofrer a pior, o desprezo de quem ele ama e que tá magoando com o que estava fazendo.


Diria que “C” o amava muito mais do que ele a ela, senão ela nem teria contado para a família da orientação dela, ela teria fugido e sido covarde como ele estava sendo. Preferindo sair ameaçando e matando as pessoas por aí, ao invés de encarar a realidade sem tentar mudá-la ao seu prazer.


Diria a ele que quem mais sofre com isso tudo é ela e não ele. Porque é ela quem vai enfrentar a sociedade e os preconceitos da vida. Até de sua própria família, que só a ama pelo que ela demonstrava ser e não pelo que ela realmente é. Depois disso tudo, se ele não tivesse chorando e se ele não a matasse ali mesmo, ela nunca mais morreria dessa forma.