"C" continuava naquele cárcere privado mas nesse dia, voltou para sua casa. Continuava no quarto, não podia falar com ninguém. O tio foi deixá-la em casa e quando chegou lá, "C" perguntou se não era a hora de ligar para "T". O tio então enrolou, disse que não precisava mais, que deixasse para lá e o assunto acabou ali.
Naquele dia, "C" viu que estava havendo reunião no escritório com seus pais e seus tios, ela não participava. Depois desceu o pai e o tio dela e foram conversar. Queriam acertar um jeito de eliminar "T", ou pelo menos fazer "C" ter medo disso.
"C" havia ido para o escritório do pai com a mãe. A mãe ficou sentada no sofá e ela na cadeira em frente ao pai na mesa dele. Ele então começou a falar sério, o tom mais frio que ele já havia lhe dirigido por toda a vida. Então disse que já estava sabendo todos os horários de Roberto (o professor particular de "C" que acobertava as duas ajudando na reserva dos hotéis), abriu a gaveta e tirou uma espingarda de lá, engatilhou-a e colocou-a em cima da mesa. Nessa hora "C" passou muito mal, o medo assolou todas as suas forças e ela quase desmaiando mas segurou a consciência achando que com ela desacordada o pai poderia atirar nela, aproveitando-se da situação. Perguntou então a "C" o que ele deveria fazer com Roberto. "C" disse que nada. Então o pai perguntou-lhe sobre o que ele deveria fazer com a outra parte. Ela ficou calada por um momento e disse-lhe que iria desistir de "T" não por ela, mas sim por eles. Ele disse que ela deveria desistir por ela mesma, que ela era burra e que ele não aceitava isso de jeito nenhum, disse que nunca aceitaria. "C" nesse dia estava começando a ficar depressiva, triste, magoada com tudo ao seu redor, com sua vida, com a ilusão do amor que tinha vindo dos pais, como se aqueles acontecimentos, deles saberem realmente quem ela era, colocasse o amor deles à prova e suas respostas não fossem positivas. Aquele orgulho todo, como eles conseguiam fazer isso com ela?
Começaram a tratá-la como empregada. Em plenas férias, acordavam-na as 5 horas da manhã para fazer atividades domésticas. Não vamos menosprezar as atividades domésticas, mas para eles, que se sentem tão nobres burgueses de algum castelo inalcançável, isso seria um ato de humilhação para "C", um castigo.
Por que motivo o tio de "C" não havia deixado "C" falar com "T"? Agora a moeda virava e "C" que se perguntava o que estava acontecendo com "T"? Pois o pai dela havia feito muitas ameaças no escritório. Disse que acidentes acontecem todos os dias. Que ou ela esquecia "T" ou ele mandaria exterminá-la sem deixar rastros já que ele achava que ninguém sabia delas duas.
Logo após umas 9:00hs da manhã "T" está no seu quarto, triste sem notícias de "T". Havia cancelado seus pacientes, trancou o curso de alemão, deixou de fazer quase tudo, só ia ao seu emprego fixo que seria o dinheiro certo para sustentar as duas caso algo acontecesse. Então o celular de "T" toca, aparece no bina o número do tio de "C" e ela acha que o tio está ajudando elas duas por causa da ligação do dia anterior. Mas a história não foi bem assim, vou tentar reproduzir o diálogo:
"T": Alô?
Tio: Bom dia, é "T"?
"T": É ela. Quem está falando?
Tio: É ..., tio de "C". Tudo bem?
"T": É... nem tudo não é?
Tio: Sei... Seus pais estão em casa?
"T": Só minha mãe e meu irmão.
Tio: Qual o nome da sua mãe?
"T": "mãe de T".
Tio: O do seu pai?
"T": Pai de "T".
Tio: Do seu irmão?"T": Irmão de "T".
Tio: Você trabalha em "tal" empresa não é isso?
"T": É, trabalho.
Tio: Eu vou começar a falar com você não como eu falei com "C" porque você já não tem mais 16, 19 anos, você já tem 26, 27 e não é uma criança como "C". O que eu quero lhe dizer é que quando eu terminar essa ligação você vai contar a seus pais o que você fez que eu e o pai de "C" à tarde ligaremos para falar com eles para combinarmos de amanhã ir aí na sua casa falar com eles fui claro?
"T": Certo.
Tio: O que eu quero dizer também é que eu não quero mais você falando com "C" de jeito nenhum, mais nunca, ela morreu para você, morreu entendeu?
"T": Aham.
Tio: Não quero conversa por telefone, nem computador, nem nada e se você chegar perto dela a você vai estar comprometendo a sua integridade física. Eu espero que você não esqueça disso, entendeu?
"T": Entendi.
Tio: E saiba que sei onde você trabalha, posso a qualquer momento mandar fazerem um escândalo lá e acabar com a sua vida profissional. Mais tarde ligaremos para os seus pais. Conte agora.
"T": certo.
Tio: Tchau.
"T": Tchau.
"T" tentou ser forte na ligação mas ao fechar seu celular caiu na cama em desespero. Ela não tinha forças para mais nada, estava numa tristeza que nunca na vida havia sentido, por nada e, pela primeira vez na vida, fez inimigos, inimigos mortais. Tanta coisa se passava na cabeça dela. Desde o desespero de perder "C", à mãe dela, o pai, o medo, a vontade de ir pegar "C" e fugir. Então ela se dirigiu a sala chorando muito, pegou na mão da mãe dela que estava na sala do computador e levou-a até o sofá. A mãe já estava muito assustada com aquela atitude de "T". "T" então colocou a mão no rosto e disse chorando:
"Mamãe, eu e "C" a gente resolveu contar para nossos pais que a gente se apaixonou uma pela outra, e a gente está junta por um ano e 3 meses."
E não conseguia falar o resto, sofria demais, seu coração estava despedaçado, seu choro não a deixava falar mas a mãe disse que ela tirasse a mão do rosto e não tivesse vergonha dela. Disse que já desconfiava da amizade delas duas, quando via "T" acordando cedo para ficar conversando com "C" cedinho pela webcam, entre outras coisas. Então "T" contou que o tio dela ligou para ela e disse que iria em sua casa com o pai de "C" para falar com ela e o pai. A mãe de "T" então disse que gostaria de falar com ele. "T" ligou para ele e passou o telefone para sua mãe, que conversou com o tio, serenamente, falou de Jesus, falou que nossa família nunca teve isso e que eles precisavam rezar. O tio que tinha se curado de um câncer, chorou, mas disse que as duas não podiam se ver porque o pai de "C" seria capaz de qualquer coisa para que isso não acontecesse.
Ameaçou a mãe de "T" e toda sua família. Também disse que ela tinha que contar ao marido dela porque se fosse a esposa dele que escondesse uma coisa dessas de alguma filha dela, dele, ele acabaria o casamento. A mãe de "T" disse que resolveria as coisas por lá mesmo, entre família e que eles não fossem em sua casa porque seu marido era doente do coração e não aguentaria essa tal visita. Que eles cuidassem de "C" que ela cuidaria de "T" em sua casa. O tio de "C" então aceitou e desligou o telefone.
Chegou a hora então de "T" dizer ao seu irmão o porque chorava tanto. Quando ela disse, seu irmão foi para o seu quarto e chorou muito também.
"T" então ligou para Rúfia em prantos e disse o que aconteceu. Ela chorava desesperadamente e fez Rúfia começar a tremer. Depois da ligação Rúfia saiu também desesperada pela faculdade alguém que pudese ajudar, seus professores de direito, oque poderia acontecer, se alguém poderia ajudar. Depois ela ligou para sua mãe, que também sabia da história das duas. A mãe de Rúfia ligou para "T" tentando acalmá-la também e mais tarde mandou mensagens para ela não fazer nenhuma besteira. Rúfia e sua mãe choraram em casa, sem acreditar no mal que "T" e "C" estavam passando por amor, um amor diferente, mas um amor especial.
A mãe de "T" pediu para ela ir trabalhar para desopilar e não entrar em uma depressão. Ela ia tentar dizer ao seu pai e era melhor ela não estar em casa. "T" então foi chorando para o trabalho, lá disse uma desculpa terrível para estar chorando, disse que amigos seus haviam morrido em um acidente e a coordenadora disse para ela ir para casa descansar. Ela não se controlava, não conseguia parar de chorar, tremia, nunca sentiu nada pior.
Enquanto isso, em sua casa, seu pai chega e vê o irmão de "T" com o olho inxado de chorar e pergunta o que houve. Então a mãe de "T" fala que "T" disse que não se interessava por meninos e sentia atração por meninas. O pai de "T" começou a ficar branco, passando mal. A mãe parou de contar, pegou água com açúcar e quando o pai de "T" melhorou ele disse que se ela se relacionasse com outra menina, ele deixaria a casa, ia embora com vergonha, deixaria família, deixaria tudo e iria para muito longe dali. A mãe ficou muito triste, o irmão também. "T" então chegou à tarde, o clima em casa estava horrível, o pai de "T" tinha ido trabalhar e quando chegou, a mãe dela disse que o pai de "C" havia ligado. A ameaçou, falou coisas vulgares, baixas, disse que vomitava todas as noites de pensar nelas duas, disse até coisas que a mãe de "T" não ousou dizer. A mãe de "T" então disse que a filha dela nunca tinha sido assim e foi depois que passou dias na casa dele. Disse que ela sempre teve namorados e que só depois de "C" que ela ficou assim, pois ele colocava a culpa em "T". Depois disso ele começou a falar de uma forma mais "amena" em comparação a anterior. Ele disse que sua filha trabalhava com ele na empresa, mas isso era uma inverdade, ela estava presa em casa.Disse que as famílias deveriam estar juntas nessa pra ajudar as pessoas que eles tanto amam a sair dessa. Deu o celular dele para a mãe de “T”, que se mostrou disposta a ajudar. Ela pediu de joelhos a “T” pra não entrar em contato com “C”. A mãe de “T” ligou para o Cônego e marcou pra falar com ele no dia seguinte, na casa dele.
A mãe de "T" disse ao pai dela que a levaria no Cônego amigo deles no outro dia que ela poderia estar com "algo ruim" dentro dela. "T" disse que iria....

5 comentários:
Até onde eu sei, a felicidade dos filhos é tudo o que os pais querem... Fico triste por saber que na família de "C" isso só tenha acontecido na teoria.
Beeeeeeijos!
"C" corrige:
A espingarda q meu pai me intimidou era uma 12..ou seja...n foi tirado de uma gavetinha n... acho q ele deixou apoiada na mesa mas n dava p eu ver. =/
Bjo! Continuem comentando e divulguem!
Nossa...parece trailer de um filme de Terror!!!
Força sempre!!!
bjs.
Porque vcs não botam a boca no trombone e ficam juntas? Peçam proteção aos amigos, polícia, advogados o que for mas fiquem juntas! Vcs merecem e se amam demais garotas!
Beijos, como eu torço por vcs!
Quero ver a continuação. Não parem de postar.
Meu Deus! Isso é muito sério!
Isso é terrorismo!
Vocês precisam de ajuda legal. Eles são covardes e estão se apoiando no suposto, bastidores da situação!
Pai eterno nós precisamos deixar de ser expectadores... isso não é uma novela com atores... isso é vida real.
Queridas Meninas, não se sintam só pois estamos com vocês... tô em choque!
Cuidado pelo amor de Deus, não deixem que eles saibam o que vocês estão fazendo até que as duas estejam fora do seu alcance.
Meninas vocês precisam tomar uma decisão: vocês querem ficar juntas? Se sim então vamos pensar juntos e achar a melhor solução pra essa situação... vocês não estão só. Não sei em que posso ajudar mas não tenho sanguem de barata e não acredito no amor incondicional dos pais, isso é raridade.
De agora por diante pensem em vocês como uma família que ainda está longe uma da outra e... esqueçam a consideração pela sua família de origem... ela não existe.
Ah! E nunca! NUNCA ouviu, pensem em droga! Pelo amor de Deus!
Vou pedir a Deus que iluminem vocês e a mim também...
Quero falar com vocês pelo msn, depois.
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