
A babá ligou para Rúfia novamente nesse dia. E a desconfiança dela e de "T" só aumentava. Ela perguntou a Rúfia se ela estava sabendo de alguma notícia do tio e do pai de “C”. “T” interpretou isso como uma ameaça, como se eles quisessem dizer em outras palavras: “você não conhece do que a gente é capaz e queremos saber até onde você sabe”, e para piorar a situação, a mãe de Rúfia também. Rúfia ficou triste e disse que as pessoas só nascem uma vez, então só podem morrer uma. Pareceu imaturo, mas ela não abandonaria as meninas, principalmente naquelas horas que elas estavam tão perdidas e sozinhas. Depois Rúfia e "T" pensaram se poderia ter sido “C” mesmo, querendo saber se tinha acontecido alguma coisa com sua “T”.
Elas achavam que a família de "C" falou que mataria “T” caso ela ficasse com ela ou entrasse em contato, e deveria ser isso que estava prendendo “C” em casa. "C" não queria dizer à Babá assim: “pergunta à Rúfia para perguntar a “T” se ela foi ameaçada!” elas começaram a ver que quando ela disse: “pergunta Rúfia se ela sabe do meu pai e do meu tio!” ela quis indiretamente saber se tinha acontecido algo com “T” e por isso a insistência da babá. Rúfia então disse à Babá que não sabia nem quem eram eles. Que nunca tinha os visto nem eles tinham a visto, e que ela só sabia, da ameaça que o tio de “C” tinha feito a “T”.
“T” e Rúfia então chegaram a combinar que não dariam mais informações à “babá”, e que iriam só colher informações. Se fosse para dar algum recado a "C", que fossem as letrinhas.
Rúfia disse também que “T” estava quieta e que deixaria que a família de “C” decidisse a vida de "C" se ela não tivesse forças para ela mesma decidir, que elas só poderiam esperar por ela e mais nada. Perguntou também se a “babá” sabia se “C” ia continuar na universidade, mas a “babá” outra vez se enrolou e perguntava: “quem? “T” não vai mais pra faculdade?” e Rúfia nem estava falando de “T”.
A babá estava no jardim com a bebê. Rúfia escutou a voz da gorda linda várias vezes, mas achou a “babá” meio atrapalhada, como se tivesse alguém do lado dela fazendo perguntas para ela repetir, por que ela não falava com Rúfia diretamente? Ela sempre dizia os verbos numa conjugação como se tivesse falando com um terceiro e não com ela. Tudo isso deixava o medo tomar conta de Rúfia e "T".
Elas então continuaram achando que "C” poderia estar com medo de dar detalhes à babá por ela não saber o que estava acontecendo. A mãe de “C” perguntou à babá se ela tinha dado alguma coisa a “C”, tipo celular, e a babá disse que não. Rúfia perguntou se a avó de “C” estava sabendo de alguma coisa e a babá disse que achava que não. Só que Rúfia conversando com “T”, soube que a avó de “C” ia à casa dela visitar a netinha bebê todos os dias, e como ela não ia desconfiar de “C” trancada no quarto, cheia de seguranças? O que elas pensaram? Poderia ser que os seguranças só existissem na hora em que "C” saísse. A mãe dela poderia dizer também que ela estava de castigo porque tinha reprovado. Tantas dúvidas...
Ficou certo que se a babá ligasse de novo, Rúfia perguntaria isso, e se ela havia entregado as letras a “C”. Graças a Deus, "C" havia recebido as letras e isso a aliviou de todo pesadelo que ela estava vivendo, já dava-lhe forças para tentar passar por toda aquela depressão.
Passava-se o tempo, e com ele, mais jogo do Brasil na copa da Alemanha, dessa vez era contra a Austrália. "T" estava muito deprimida, não conseguia fazer nada. Rúfia já não tinha vontade de fazer nada também, todos as viam tristes, e elas começavam a se isolar de todos. Fizeram promessa para que "C" saísse daquele pesadelo e voltasse para "T", apesar que elas sabiam, lá no fundo, que estavam juntas sempre, mas elas queriam "C" ali com elas novamente. Rúfia não ingeria bebidas alcóolicas e “T” deixou de comer chocolate e beber coca-cola como promessa. "T" acendia velas todas as noites, prostrava-se aos pés de Nosso Senhor, lia a Bíblia, chorava todas as lágrimas naquele ambiente do seu quarto, iluminado apenas pela luz da vela, deixando-a livre para poder chorar sem que ninguém a visse o fazer. Ela não tinha explicação para as outras pessoas do porque tanta tristeza.
Sua visão era perdida e ao mesmo tempo parada. Ela já não dava importância a nada que falavam. Rúfia também se sentia péssima, triste vendo toda aquela injustiça. Se questionavam porque "C" não contava com a ajuda de sua avó, mas "T" sabia que todo preconceito implantado na família, não só com homossexuais, mas como também negros e até pessoas de classe mais baixa, vinha dos avos de "C". Então a atitude mais drástica que era matar “T” poderia ser tomada de vez. “C” só podia se acompanhar com pessoas da classe alta, brancos, que seus pais conhecessem profundamente. "C" não sabia nem o que era ter amigos que batessem fotos fazendo careta, para amãe dela seria falta de estilo, ou qualquer coisa parecida.
O medo delas também era que a avó deixasse de pagar a universidade de "C", não eram os pais que pagavam. Nessa fase, a mãe de Rúfia fazia pressão nela para ela não se envolver, mas Rúfia ia tentando ajudar sempre que podia. “T” começou a pensar se "C" poderia estar já fora do país com a avó dela e seguranças e que eles poderiam comprar um casamento pra “C”. Pagar alguém pra se casar com ela.
"T" se sentia péssima, havia dias que coisas terríveis passavam por sua cabeça mas logo ela tirava por pensar que tinah que ter forças por causa de "C". Ela lembrava que a mãe de "C" achava que não era para confiar nela, tinha achado ela educada, simpática, mas alguma coisa não tinha batido. Talvez a idade de “T” tenha influenciado por que ela pode até esconder, mas essas desconfianças todas dela com "C" mostram o quanto ela já sabia que tinha uma filha homossexual. A família já desconfiava, tinha um cuidado exacerbado com “C”.
Quando Rúfia ligou para "T" nesse dia, ela estava muito abatida, calada, Rúfia se preocupava com o passar dos dias. "T" já perdia muito peso, já tomava antidepressivos, já não sabia se a vida dela continuaria, Rúfia sempre falava muito de "C" com ela para que ela pudesse lembrar que amava alguém e sair daquela depressão.
"T" pensava que se ela estava assim, como estaria "C" sem ninguém do lado. "T" estava piorando a cada dia, as vezes começava a ter acessos de tremor, os nervos a flor da pele, medo, saudade, angústia, a mais profunda que ela já havia sentido.
E os responsáveis por tudo isso, se sentindo poderosos, ameaçadores e impunes.
"T" afirmou que seria fiel a "C" para o resto da vida, nem que a amasse só por pensamento, se "C" também fosse fiel a ela. Um amor desses não aceitava fim, não aceitava terceiros, não aceitava regras de otros relacionamentos fora do contexto do delas. Era um amor puro, um amor único, um amor de atravessar todas as barreiras e se manter de pé.
6 comentários:
Vcs devem ter tido muito medo.
Que tortura meninas.
Como vcs estão hj?
Beijinhos. Fiquem com Deus e muita força!!!!!
Ola meninas! Desculpa por n ter comentado os outros post... o tempo tá horrivel, mas não posso deixar de acompanhar o blog..
Nossa, como eu falei pra "T" hj... impossivel ler tudo o que aconteceu e conter as lágrimas... tantos sentimentos que brotam, principalmente indignação pelas injustiças cometidas, pelo preconceito e pela não aceitação dos pais. Os amamos ou aprendemos a ama-los desde que nascemos, mas quando realmente precisamos deles num momento tao crucial em nossas vidas, muitos nos frustram.
Nossa, nem eu sei o que faria no lugar de "C".
Desculpa "T", mas... que mulher que tu tem, em? kkkkk.. levanta a mão pro céu e agradece tdo dia por ter "C" na tua vda!!!!
Beijos
"O amor nasce do prazer de olhar um para o outro, é alimentado pela necessidade de ver um ao outro, e é concluído com a impossibilidade da separação!" (Jose M Y Perez)
A pior coisa que pode acontecer na vida de um ser humano é tirar sua liberdade!
De que adianta tanto ter se a pessoa não pode compartilhar com quem ama?!
Mas a maior partilha... são os pequenos momentos da vida! Outro dia tava fazendo supermercado e me lembrando de Mb, porque é muito divertido fazer compras com alguém que a gente ama e lembrei de vocês e as imaginei assim.
Eu não sei se vocês leram os depoimentos que lhes enviei onde eu falo da consulta que fiz ao oráculo (I Ching), se não leram leiam. É fantástico o recado que o Senhor enviou pra vocês!
Continuo pensando, rezando e torcendo por vocês para que esse martírio chegue ao fim.
Paz e Bem! Jaira
Para você Tê:
Pior do que ser torturado é assistir a tortura do outro.
Doi mais imaginar que vivenciar a coisa.
A mior tortura de C era imaginar o que poderiam ter feito com você e vice-versa...
Sabe Tê eu dediquei esse cantinho pra você, porque sei que irá sará o coração de C por tabela e também porque até hoje eu só vi um casal - deve ter outros - que se parecesse tanto com a gente como vocês, foi num clip que está a disposição de quem quiser ver no meu orkut: It's in the water...
Mas o que quero dizer é que na minha história, o meu papel era o mesmo que você exerce o da que fica de fora sem poder fazer nada e se desesperando, só outra acompanhada. C se parece demais com Mb, o nome de Mb no orkut é delicadeza não é fragilidade... por aí você tira. A força dessas mulheres encantadoras nos edifica e nos completa e já nós somos fortes também mas manteiga derretida, emotivas até dizer basta. Pela minha afinidade com sua dor eu quiz te fazer essa homenagem a você e sei que tenho C batendo palmas por isso porque você merece.
Paz e Bem! Sua sempre amiga Jaira
Continuo rezando por vocês.
Louvado seja Deus! O que foi isso que escrevi aí em cima em?
Essas letrinhas matam a gente de vergonha! Cruzes! Eu escrevi sem óculos e sem revisar, confiei na minha emoção e veja no que deu. Mas valeu porque pelo menos a palavra homenagem saiu certa e esta é para você, com os aplusos de C que muito se orgulha da sua coragem!
Que Deus em sua infinita misericórdia lhes ilumine... acho que é assim que se escreve, hoje e sempre! Amém!
Paz e Bem! Jaira
Um amor louvável. Lindo.
beijos de parabéns pelo blog e por um amor tão IMPRESSIONANTE.
Quanta injustiça.
Pq "C" não sai de casa e arranja um lugar para trabalhar? Isso deveria partir dela. Tranca um pouco a faculdade e trabalha "C".
Beijos e força!
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